Groenlândia fortalece laços com a Dinamarca enquanto busca independência

Governo do território recusa terminantemente se tornar parte dos Estados Unidos

Tom Little, da Reuters, em Nuuk
Bandeira da Dinamarca tremula ao lado da estátua de Hans Egede em Nuuk, Groenlândia.  • 09/03/2025 REUTERS/Marko Djurica
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A Groenlândia fortalecerá seus laços com a Dinamarca até que possa se tornar uma nação soberana, declarou o primeiro-ministro groenlandês à Reuters nesta segunda-feira (31), observando que o território dinamarquês semiautônomo quer, em última análise, se tornar independente.

Jens-Frederik Nielsen, 33, foi empossado como primeiro-ministro da Groenlândia na sexta-feira (28) e liderará um governo de coalizão de quatro partidos em meio aos desafios impostos pelas ambições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de controlar a ilha.

"Estamos no Reino da Dinamarca agora e, enquanto estivermos nessa configuração, precisamos construir nosso relacionamento e nossa parceria para torná-la mais forte até o dia em que pudermos ser uma nação soberana", disse Nielsen.

"Temos uma forte parceria com a Dinamarca e é isso que vamos desenvolver até o dia em que pudermos ser soberanos", acrescentou.

Além disso, Nielsen afirmou que a Groenlândia quer uma parceria com os Estados Unidos baseada no respeito mútuo.

"A Groenlândia nunca fará parte da América", declarou. "Queremos negociar. Queremos uma parceria forte em segurança nacional, é claro, mas queremos isso em respeito mútuo. Nunca estaremos à venda e nunca seremos americanos."

Durante uma visita a uma base militar dos EUA no norte da Groenlândia na sexta-feira, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, acusou a Dinamarca – que controla a Groenlândia desde 1721 – de não fazer um bom trabalho em manter a ilha segura, e sugeriu que os Estados Unidos protegeriam melhor a ilha estrategicamente localizada.

"Não queremos ser americanos. Também não queremos ser dinamarqueses no futuro. Queremos ser independentes. Mas agora fazemos parte do Reino da Dinamarca e é assim que vai ser", concluiu Nielsen.