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    Grupo Wagner tentou comprar armas da Turquia, revelam documentos vazados 

    Serviço paramilitar russo teria buscado acordos com o país membro da Otan, mostrando a forte influência dos mercenários na guerra da Ucrânia

    Yevgeny Prigozhin, fundado do grupo mercenário russo Wagner, em Paraskoviivka, na Ucrânia
    Yevgeny Prigozhin, fundado do grupo mercenário russo Wagner, em Paraskoviivka, na Ucrânia 03/03/2023 Concord Press Service/via REUTERS

    Zachary CohenJennifer Hanslerda CNN

    O Grupo Wagner, tropa paramilitar russa lutando na Ucrânia em nome de Vladimir Putin, tentou comprar armas e equipamentos de uma fonte improvável: a Turquia, membro da OTAN. A informação consta de um documento de inteligência dos EUA vazado, obtido pela CNN.

    O documento vazado parece mostrar até onde o Grupo Wagner foi para tentar fortalecer ainda mais suas capacidades enquanto a guerra na Ucrânia – na qual está desempenhando um papel fundamental – continua sem sinais de diminuir.

    Como membro da OTAN, a Turquia é amplamente considerada uma nação parceira dos EUA e de outros países que fornecem apoio militar direto à Ucrânia e expressou publicamente sua oposição à invasão russa.

    É também o lar de uma importante base militar dos EUA onde as armas nucleares são armazenadas, o que funciona como um sinal de alerta óbvio para impedir a agressão russa contra os membros da OTAN.

    De acordo com o relatório de inteligência de sinais dos EUA citado no documento, o pessoal do Grupo Wagner se reuniu com “contatos turcos” no início de fevereiro com a intenção de “comprar armas e equipamentos da Turquia” que poderiam ser usados por mercenários Wagner que estão lutando ao lado Forças russas na Ucrânia.

    Ainda assim, o potencial de um aliado da OTAN vender armas para forças mercenárias russas provavelmente levantaria sérias preocupações em Washington e complicaria o relacionamento de Ancara com outros membros da OTAN.

    Os detalhes sobre a reunião de fevereiro, descritos em uma seção do documento vazado intitulada “Mali, Rússia, Turquia: Vagner busca armas em Ancara”, sugerem que as autoridades americanas acreditam que o grupo de mercenários russos pelo menos “testou as águas”.

    Segundo o documento vazado, o Grupo Wagner também planejava usar as armas e equipamentos da Turquia no Mali, onde mantém uma presença significativa.

    O documento não apenas faz referência à inteligência sobre o Grupo Wagner tentando comprar armas da Turquia, mas também afirma que a tropa paramilitar planejava retomar o recrutamento de prisioneiros das prisões da Rússia.

    A CNN não confirmou de forma independente a veracidade do documento, mas as autoridades americanas indicaram que a maior parte da parcela vazada é autêntica. Um porta-voz do Departamento de Estado disse que “o Departamento de Defesa e a comunidade de inteligência estão revisando e avaliando ativamente a validade” dos documentos vazados, acrescentando que “não estamos em posição de confirmar ou comentar qualquer informação específica que eles contenham”.

    A CNN entrou em contato com o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, o gabinete do presidente turco e a Embaixada da Turquia em Washington para comentar o documento.

    A relação única da Turquia com a Rússia

    As autoridades dos EUA há muito lutam com a complicada realidade do relacionamento único da Turquia com Moscou em comparação com outros membros da OTAN, apesar de todos fazerem parte da mesma aliança projetada para proteger as nações fronteiriças da ameaça potencial da expansão russa.

    O governo turco expressou sua oposição à invasão russa da Ucrânia. No entanto, ao contrário de muitos aliados da OTAN, manteve laços estreitos com o governo de Moscou.

    Às vezes, o governo turco usou esses laços para pressionar o governo russo a encerrar a guerra, inclusive na semana passada, quando o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavasoglu, se reuniu com seu colega russo, Sergey Lavrov, em Ancara.

    Soldados carregam armamentos antes de ataque a tropas russas, em Bakhmut, Ucrânia / 05/03/2023 REUTERS/Anna Kudriavtseva

    O governo turco serviu como um dos intermediários de um acordo para permitir que os grãos ucranianos transitassem com segurança pelo Mar Negro sem a ameaça russa.

    O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já se posicionou anteriormente como um intermediário no conflito Rússia-Ucrânia. Em janeiro, Erdogan manteve ligações separadas com Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

    Ele disse a Zelensky que a Turquia estava pronta para assumir um papel de mediador e facilitador para uma paz duradoura entre os países e que poderia facilitar os esforços diplomáticos em relação à usina nuclear de Zaporizhzhia, disse uma leitura do governo turco da ligação.

    Em sua ligação com Putin, Erdogan disse a ele que os pedidos de paz e negociações devem ser apoiados por uma declaração unilateral de cessar-fogo e uma visão de “uma solução justa”.

    Putin, no entanto, disse a Erdogan que Moscou está aberta a um “diálogo sério”, mas Kiev deve aceitar as “novas realidades territoriais”, de acordo com um comunicado do Kremlin.

    Representantes do Grupo Wagner parecem ter se encontrado com seus contatos turcos apenas um mês após as ligações de Erdogan com Putin e Zelensky, de acordo com o documento vazado do Pentágono.

    O diretor da CIA, Bill Burns, disse na terça-feira que sua agência de inteligência avalia que Putin “não leva a sério as negociações nesta fase” da guerra na Ucrânia e é “o progresso ucraniano no campo de batalha que provavelmente moldará as perspectivas de diplomacia” para terminar o conflito em curso.

    Falando publicamente pela primeira vez desde que documentos militares americanos secretos vazados apareceram online – incluindo avaliações que lançam um ponto de vista pessimista sobre o estado da guerra e preveem um impasse no futuro previsível – Burns enfatizou a importância da ofensiva planejada da Ucrânia, dizendo “um grande acordo está em jogo nos próximos meses.”

    Outro documento obtido pela CNN cita sinais de inteligência de que empresas turcas estavam ajudando na evasão de sanções para outro importante aliado de Putin: a Bielo-Rússia.

    Os EUA têm procurado reprimir tais esforços para evitar sanções, mesmo por parte de empresas sediadas em países aliados dos EUA. Na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a duas empresas turcas que, segundo ele, estão apoiando o complexo industrial militar da Rússia, desafiando as sanções existentes.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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