Guarda Costeira dos EUA aguarda reforços para tentar apreender petroleiro

Serviço que perseguiu embarcação da Venezuela, alega há tempos que não possui recursos suficientes para executar com eficácia uma lista crescente de missões, incluindo operações de busca e salvamento e apreensões de drogas

Idrees Ali, Jonathan Saul, Trevor Hunnicutt, Ricardo Arduengo, Don Durfee e Shri Navaratnam, da Reuters
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A Guarda Costeira dos Estados Unidos aguarda a chegada de reforços antes de tentar abordar e apreender um petroleiro ligado à Venezuela, que vem sendo perseguido desde domingo (21), disseram um oficial americano e uma fonte familiarizada com o assunto à agência de notícias Reuters.

O navio, identificado por grupos marítimos como Bella 1, recusou-se a ser abordado pela Guarda Costeira.

Isso significa que a tarefa provavelmente caberá a uma das duas únicas equipes de especialistas — conhecidas como Equipes de Resposta de Segurança Marítima — que podem abordar embarcações nessas circunstâncias, inclusive por meio de rapel a partir de helicópteros.

A perseguição que durou dias evidencia a discrepância entre o desejo do governo do presidente americano, Donald Trump, de apreender petroleiros sujeitos a sanções perto da Venezuela e os recursos limitados da agência que está executando as operações, a Guarda Costeira.

Diferentemente da Marinha dos Estados Unidos, a Guarda Costeira pode realizar ações de aplicação da lei, incluindo o embarque e a apreensão de embarcações sujeitas a sanções americanas.

No início deste mês, Trump ordenou um "bloqueio" de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, na mais recente medida de Washington para aumentar a pressão sobre o ditador venezuelano, Nicolás Maduro.

Nas últimas semanas, a Guarda Costeira apreendeu dois petroleiros perto da Venezuela. Após a primeira apreensão, em 10 de dezembro, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, divulgou um vídeo de 45 segundos mostrando dois helicópteros se aproximando de uma embarcação e indivíduos armados e camuflados descendo de rapel para o navio.

Uma publicação nas redes sociais feita no sábado (20) pelo Departamento de Segurança Interna, que supervisiona a Guarda Costeira, mostrou o que pareciam ser oficiais da Guarda Costeira a bordo do porta-aviões Gerald Ford, preparando-se para partir e apreender o petroleiro Centuries, o segundo navio abordado pelos Estados Unidos.

"Há um número limitado de equipes treinadas para esse tipo de abordagem", disse Corey Ranslem, diretor-executivo do grupo de segurança marítima Dryad Global e ex-membro da Guarda Costeira dos EUA.

O Departamento de Segurança Interna não respondeu imediatamente a um pedido de comentário e a Reuters não conseguiu determinar quais, se houver, outros motivos levaram a Guarda Costeira a ainda não ter apreendido a embarcação.

A administração poderia, em última instância, optar por não abordar e apreender a embarcação.

A Casa Branca afirmou que os Estados Unidos continuam em "busca ativa por uma embarcação da frota clandestina sancionada, que faz parte da evasão ilegal de sanções da Venezuela".

Recursos limitados

A Guarda Costeira dos Estados Unidos é um ramo das Forças Armadas, mas faz parte do Departamento de Segurança Interna.

Washington reuniu uma força militar massiva no Caribe, incluindo um porta-aviões, caças e outros navios de guerra. Segundo outra fonte, aeronaves Osprey e outros aviões MC-130J Commando II chegaram a Aguadilla, Porto Rico, nos últimos dias.

A Guarda Costeira, por sua vez, dispõe de recursos muito menores.

O serviço alega há tempos que não possui recursos suficientes para executar com eficácia uma lista crescente de missões, incluindo operações de busca e salvamento e apreensões de drogas.

Em novembro, a Guarda Costeira anunciou a apreensão de cerca de 22 toneladas de drogas, avaliadas em mais de US$ 362 milhões, no Pacífico Oriental.

"A Guarda Costeira está em uma grave crise de prontidão que vem se agravando há décadas", disse o Almirante Kevin Lunday, comandante da Guarda Costeira, a parlamentares em junho.

Para o ano fiscal que termina em setembro de 2026, a Guarda Costeira solicitou um orçamento de US$ 14,6 bilhões.

Ela receberá mais US$ 25 bilhões por meio de uma ampla legislação tributária e de gastos, conhecida como "One Big Beautiful Bill Act".

"Nossa Guarda Costeira está menos preparada do que em qualquer outro momento nos últimos 80 anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A espiral descendente de prontidão em que nos encontramos não é sustentável", afirmou Lunday no início deste ano.