Guerra no Oriente Médio pode “sair do controle”, alerta autoridade do Catar

Doha diz que acordo deve envolver todos os países da região e respeitar normas internacionais

Da CNN
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O Catar afirmou nesta terça-feira (7) que a situação na região corre risco de “sair do controle”.

Questionado pela CNN se há chance de a crise ser contida antes do prazo dado pelos EUA, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari, disse que Doha tem pressionado todas as partes para buscar uma solução antes que o conflito se agrave.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já declarou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, enquanto se aproxima o prazo das 20h de terça-feira (21h em Brasília) para que o Irã faça um acordo e reabra o Estreito de Ormuz.

Al-Ansari ressaltou que qualquer entendimento com o Irã precisa envolver todos os países da região e “não pode excluir nenhum parceiro estratégico”.

O Catar busca um acordo que estabeleça “um novo marco de segurança regional”, mas que também ofereça “garantias internacionais” respeitando o direito internacional.

O porta-voz ainda destacou que Doha não está mediando diretamente o conflito entre EUA e Irã. Segundo ele, o Estreito de Ormuz não pertence a um único país e não deve ser usado de forma exclusiva por nenhum Estado.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.