Guerra provoca suspensão da venda de fertilizantes russos ao Brasil, diz ministra

“Qual navio que vai para lá buscar o produto? A Rússia está com um problema grande. Não tem navio para fazer a rota. O problema começa com o seguro", comenta Tereza Cristina

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina
Ministra da Agricultura, Tereza Cristina Guilherme Martimon/Mapa

Renata Agostini

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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou à CNN que as vendas de fertilizantes da Rússia ao Brasil já estão suspensas. Segundo ela, a paralisação não deriva de uma decisão do governo russo de interromper o comércio com o Brasil, mas de uma consequência direta da guerra na Ucrânia.

“Qual navio que vai para lá buscar o produto? A Rússia está com um problema grande. Não tem navio para fazer a rota. O problema começa com o seguro. Eles não conseguem quem faça esse seguro. Houve paralisação desse comércio por conta da guerra”, disse Tereza Cristina. “Não é que a Rússia tenha suspendido algo para o Brasil. Neste momento, não tem ninguém indo lá buscar nada”.

Diante disso, o governo atua em duas frentes. Para atenuar os efeitos da suspensão das vendas no curto prazo, busca incrementar a compra de outros países fornecedores, caso do Canadá.

Ao mesmo tempo, prepara o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, que busca incentivar o aumento dos investimentos na produção da iniciativa privada de nitrogênio, fósforo e potássio.

De acordo com a ministra, o plano deve ser lançado no dia 17 de março ou no dia 23 de março. O programa, que foi desenhado com participação de nove ministérios ao longo do último ano, está pronto e vai trazer uma série de medidas, incluindo linhas de crédito. A ideia do governo é publicar um decreto com o plano.

Segundo Tereza Cristina, o governo entende que reduzir a dependência externa de fertilizantes é uma questão de “segurança alimentar e até de segurança nacional”. O objetivo é corrigir uma “estratégia errada” adotada pelo país anos atrás.

No entendimento da ministra, o ideal é que o país tenha um percentual de importação similar ao dos Estados Unidos e da China -ambos, atualmente, importam cerca de 20% do que consomem. Hoje, o Brasil é o maior importador do mundo, trazendo de fora mais de 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio.

Apesar de considerado estratégico pelo governo, o Plano Nacional de Fertilizantes não tem por objetivo resolver o problema de abastecimento de fertilizantes no curto prazo. “Para colocar uma jazida para funcionar, são no mínimo três, quatro anos. E isso se estiver com todas as licenças”, explica a ministra.

Por isso, a busca por acordos com outros países será central nos próximos meses. De acordo com a ministra, o problema aparecerá a partir de outubro. Há fertilizantes em estoque no país capaz de prover o agronegócio por três meses. Ocorre que a maior demanda virá com a safra de verão, que demandará fertilizantes a partir de agosto, diz Tereza Cristina.

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