Guillermo Lasso, presidente do Equador, sobrevive à tentativa de impeachment

Lasso afirmou que não voltará a dialogar com liderança indígena

Alexandra Valencia, da Reuters, Em Quito
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O presidente do Equador, Guillermo Lasso, sobreviveu a uma tentativa de parlamentares da oposição de derrubá-lo nesta terça-feira (28), depois de insistir que seu governo não negociará mais com líder indígena para encerrar mais de duas semanas de protestos.

Os protestos foram associados a oito mortes, contribuíram com a escassez de alimentos e medicamentos e a redução da produção de petróleo.

“Não voltaremos a dialogar com Leônidas Iza, que defende apenas seus interesses políticos e não os de sua base”, disse Lasso, referindo-se ao líder indígena. "Para nossos irmãos indígenas: vocês merecem mais do que um líder oportunista."

Manifestantes, em sua maioria indígenas, protestam contra os altos preços dos combustíveis e alimentos desde 13 de junho, e pelo menos oito pessoas morreram em conexão com as manifestações.

Os bloqueios nas estradas realizados pelos manifestantes contribuíram com a escassez de alimentos nos supermercados e suprimentos médicos nos hospitais.

Na segunda-feira, a produção total de petróleo do Equador estava em 234.496 barris por dia (bpd), menos da metade da produção de cerca de 520.000 bpd vista antes dos protestos.

A relação antagônica de Lasso com a Assembleia Nacional do Equador piorou durante os protestos, levando parlamentares do movimento de oposição UNES, leal ao ex-presidente de esquerda Rafael Correa, a pressionar uma votação visando sua destituição do cargo.

A votação enfrentou problemas, com reclamações de alguns parlamentares sobre problemas técnicos, e teve que ser repetida três vezes.

Na terceira votação na noite de terça-feira, 80 dos 137 parlamentares equatorianos votaram pela remoção de Lasso como presidente, faltando outros 92 votos necessários para que a medida tivesse sucesso.

Lasso disse que o governo fez concessões significativas aos manifestantes, concordando com um corte no preço da gasolina, perdão de dívidas e subsídios para fertilizantes, entre outras demandas.

Iza disse na segunda-feira que o corte de preço não foi suficiente.

Lasso disse que seu governo está aberto a negociações, mas não com Iza.

O país não pode dialogar com aqueles que o mantêm "refém", acrescentou Lasso.

Ele ofereceu condolências à família do soldado que foi morto quando pessoas com armas atacaram um comboio de 17 caminhões-tanque que ele acompanhava.

“Somente quando houver representantes legítimos de todos os povos e etnias do Equador, que busquem soluções reais e estejam abertos a um diálogo real e franco, retornaremos à mesa de negociações”, disse Lasso.

Iza, respondendo a Lasso, disse que permaneceria no local das negociações até a chegada dos representantes do governo.

"Senhor presidente, nunca condicionamos quem pode vir ao diálogo e quem não pode", disse ele.

“Neste momento o que me parece importante é uma atitude de paz, de diálogo, não mais atitudes bélicas”, acrescentou Iza, que dirige a organização indígena CONAIE. Mediadores nas negociações disseram que os dois lados estavam perto de um acordo.