Guiné confirma primeiro caso do vírus Marburg, semelhante ao Ebola, na África

De acordo com informações da OMS, um paciente morreu em Gueckedou, no sul do país, menos de dois meses após o anúncio do fim do surto de Ebola

Vírus de Marburg, semelhante ao ebola, identificado em paciente morto no Guiné
Vírus de Marburg, semelhante ao ebola, identificado em paciente morto no Guiné Foto: Divulgação

Stephanie Busari, da CNN

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Um paciente morreu com o raro e altamente infeccioso vírus de Marburg, em Guiné, de acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta segunda-feira (9). Esse é o primeiro caso do vírus parecido com o Ebola no oeste da África.

Amostras do vírus que foram retiradas do paciente na cidade de Gueckedou, no sul do país, identificaram febre hemorrágica. O Marburg causa sintomas semelhantes aos do Ebola, começando com febre e fraqueza e frequentemente levando a sangramento interno ou externo, falência de órgãos e morte. 

Ainda de acordo com a OMS, o vírus é transmitido por meio de morcegos frugívoros e pode ser transmitido entre humanos por meio de contato com fluídos corporais de pessoas infectadas ou em superficies e materiais contaminados. Ainda não há vacinas ou tratamento antiviral. Existem apenas tratamentos específicos que podem aumentar a chance de sobrevivência dos pacientes.

A detecção do caso acontece menos de dois meses após Guiné declarar o fim do surto mais recente de ebola

“Gueckedou, onde Marburg foi confirmado, é também a mesma região onde ocorreram casos do surto de Ebola em 2021 na Guiné, bem como onde foram detectados inicialmente o surto de 2014 a 2016 na África Ocidental”, de acordo com a declaração da OMS.

“Amostras retiradas de um paciente já falecido e testadas em um laboratório de campo em Gueckedou, bem como pelo laboratório nacional de febre hemorrágica da Guiné, deram positivo para o vírus de Marburg. Uma análise posterior do Institut Pasteur no Senegal confirmou o resultado”, continuou. 

Autoridades de saúde estavam tentando encontrar nesta segunda-feira pessoas que possam ter tido contato com o paciente. Também lançaram uma campanha pública para ajudar a conter a propagação da doença. Uma equipe de dez especialistas da OMS estão no local para investigar o caso e ajudar em uma resposta de emergência do país.

“As taxas de letalidade variaram de 24% a 88% em surtos anteriores, dependendo da cepa do vírus e do manejo do caso”, disse o comunicado. “Na África, surtos anteriores e casos esporádicos foram relatados em Angola, República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul e Uganda”.

O vírus de Marburg foi identificado pela primeira vez em 1967, quando 31 pessoas adoeceram na Alemanha e na Iugoslávia em um surto que acabou sendo rastreado em macacos de laboratório importados de Uganda. Desde então, o vírus apareceu esporadicamente, com apenas uma dúzia de surtos registrados. Muitos deles envolveram o diagnóstico de apenas um caso. 

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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