Presidente da Colômbia reage à megaoperação no Rio: "Barbárie"

Gustavo Petro publicou vídeo de corpos enfileirados nas redes sociais e afirmou que "o mundo da morte está tomando conta da política"

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou nas redes sociais um vídeo dos corpos enfileirados após a megaoperação no Rio de Janeiro, que chamou de "barbárie".

"Essas lutas contra as gangues não são nada além de barbárie — o mundo da morte está tomando conta da política", afirma a publicação.

Está luchas contra las bandas no es más que barbarie, el mundo de la muerte se apodera de la política.
Rio de Janeiro. https://t.co/JMjpvLi8gN

— Gustavo Petro (@petrogustavo) October 29, 2025

"Seguindo os passos de Bolsonaro, Cláudio Castro, com sua polícia do Rio de Janeiro, deixou 132 mortos nas favelas do Rio. Operação semelhante à ocorrida na Comuna XIII de Medellín", escreveu Petro em outro post.

O presidente colombiano fez referência à Operação Orion, iniciada em outubro de 2002 na Comuna 13 de Medellín com a intenção de retomar o controle de áreas controladas por guerrilhas.

A megaoperação contra o Comando Vermelho deixou 119 mortos, segundo o governo do Rio de Janeiro. Diante da crise, consulados dos Estados Unidos, México, França e Alemanha emitiram alertas de segurança para cidadãos estrangeiros no Rio.

A operação também provocou reações da ONU. Por meio do porta-voz Stéphane Dujarric, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se disse "profundamente preocupado com o elevado número de vítimas durante a operação policial realizada ontem no Rio de Janeiro".

Ele acrescentou que o uso da força em operações policiais deve estar em "conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos" e pediu uma investigação imediata sobre o caso.

Em paralelo, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu uma "reforma policial abrangente" no Brasil após a megaoperação contra o Comando Vermelho – a mais letal na história do estado.

O alto comissário Volker Türk disse "compreender perfeitamente" os desafios de ter que lidar com grupos criminosos violentos e bem organizados.

"No entanto, a longa lista de operações que resultaram em muitas mortes – que afetam desproporcionalmente pessoas de ascendência africana – levanta questões sobre a forma como essas operações são conduzidas", destacou a autoridade da ONU.