Hamas diz que Israel não quer fim da guerra na Faixa de Gaza

Grupo respondeu publicação do presidente dos EUA, Donald Trump, pedindo libertação dos reféns

Ibrahim Dahman, Tal Shalev e Nadeen Ebrahim, da CNN
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Em resposta a uma publicação do presidente dos EUA, Donald Trump, nas redes sociais, o grupo Hamas afirmou na quarta-feira (3) que já concordou com um acordo de cessar-fogo em Gaza, que está amplamente alinhado com a proposta dos EUA, mas que é o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quem quer "guerra sem fim".

"Afirmamos ao presidente dos EUA, Trump, que o Hamas concordou em 18 de agosto com a proposta dos mediadores, que se baseia essencialmente na proposta de Witkoff, e Netanyahu ainda não respondeu", declarou Izzat al-Rishq, integrante do gabinete político do Hamas, nesta quinta-feira (4), no Telegram, referindo-se a Steve Witkoff, enviado de Trump.

A declaração do Hamas foi feita após Trump ter pedido ao grupo que libertasse imediatamente todos os reféns.

“Diga ao Hamas para devolver IMEDIATAMENTE todos os 20 reféns (não 2, 5 ou 7!), e as coisas mudarão rapidamente. ISSO VAI ACABAR!”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social.

Al-Rishq disse que Netanyahu “é o verdadeiro obstrucionista dos acordos de troca e cessar-fogo... e quer uma guerra sem fim”, acrescentando que o Hamas está pronto para firmar um “acordo abrangente” que liberte todos os reféns e encerre a guerra em Gaza.

Como parte do acordo, o grupo afirmou em um comunicado separado na quarta-feira (3) que todos os reféns seriam libertados em troca de um número combinado de prisioneiros palestinos, a guerra em Gaza terminaria, todas as tropas israelenses se retirariam do enclave, as travessias de fronteira seriam abertas para ajuda humanitária e um processo de reconstrução seria iniciado.

O Hamas reiterou sua aprovação “para formar uma administração nacional independente de tecnocratas para administrar todos os assuntos da Faixa de Gaza e assumir suas responsabilidades imediatamente em todas as áreas”.

No entanto, o grupo não se comprometeu a se desarmar, uma exigência que Israel considera inegociável.

Israel rejeita acordo abrangente

O Hamas afirmou repetidamente que está disposto a libertar os reféns em troca do fim da guerra, mas Israel, até recentemente, rejeitava um acordo abrangente.

A declaração foi rejeitada por Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores, Israel Katz.

“Infelizmente, esta é mais uma versão do Hamas, sem nada de novo. A guerra pode terminar imediatamente sob as condições estabelecidas pelo gabinete”, declarou o gabinete de Netanyahu.

Essas condições incluem: a libertação de todos os reféns, o desarmamento do Hamas, a desmilitarização da Faixa de Gaza, o controle da segurança israelense na Faixa e o “estabelecimento de um governo civil alternativo que não doutrinou o terror, não distribuiu o terror e não ameaçou Israel”, acrescentou.

“Somente essas condições impedirão o Hamas de se rearmar e repetir o massacre de 7 de outubro repetidamente, como promete", acrescentou.

Katz falou que o Hamas "continua a enganar e a dizer palavras vazias, mas em breve entenderá que deve escolher entre duas opções", que são aceitar as condições de Israel para o fim da guerra, principalmente a libertação de todos os reféns e o desarmamento, "ou que Gaza se tornará como Rafah e Beit Hanoun".

"As Forças de Defesa de Israel estão se preparando com força total", acrescentou Katz.