Hamas diz que trocou listas de reféns e prisioneiros com Israel
Troca foi um dos pontos que o grupo palestino concordou no plano proposto pelos EUA para acabar com a guerra na Faixa de Gaza
O alto funcionário do grupo palestino Hamas, Taher Al-Nounou, afirmou nesta quarta-feira (8) que negociadores de seu grupo e de Israel trocaram listas de prisioneiros e reféns que seriam libertados caso um acordo fosse alcançado durante as negociações de cessar-fogo em Gaza, no Egito.
Al-Nounou também afirmou que o Hamas expressou otimismo quanto à possibilidade de chegar a um acordo, afirmando que o grupo demonstrou a positividade necessária.
O grupo disse que também estava otimista sobre as negociações no Egito a respeito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar com a guerra.
As negociações, que contarão com a presença de autoridades políticas e de inteligência estrangeiras, estão focadas nos mecanismos para interromper o conflito, na retirada das forças israelenses de Gaza e no acordo de troca, acrescentou o grupo palestino.
Um dos maiores pontos de atrito será a pressão sobre o Hamas para se desarmar, uma questão que até agora o grupo não se mostrou disposto a discutir nas conversações, segundo uma fonte palestina próxima às negociações.
Trump expressou otimismo sobre o progresso em direção a um acordo na terça-feira (7), data que marca dois anos do ataque do Hamas a Israel que desencadeou o ataque israelense a Gaza.
Uma equipe dos Estados Unidos, incluindo o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump que atuou como enviado para o Oriente Médio durante o primeiro mandato de Trump, participará das negociações sobre um plano que chegou mais perto de silenciar as armas.
Mas as autoridades de todos os lados pediram cautela sobre as perspectivas de um acordo rápido.
O ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, confidente íntimo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, deve participar das negociações na tarde desta quarta-feira (8), segundo uma autoridade israelense.
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, um mediador de longa data, também participará, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.
Outro participante será o chefe de espionagem turco Ibrahim Kalin, o que aponta para um papel cada vez maior da Turquia, um poderoso membro da Otan que tem contatos próximos com o Hamas, mas que Israel não via anteriormente como um mediador.
Uma fonte de segurança turca disse que Kalin consultou autoridades dos EUA, do Egito e do Hamas.
Delegações iniciaram reuniões na segunda-feira (6) para discutir o plano proposto por Trump, para pôr fim ao conflito de dois anos na Faixa de Gaza.
Entenda o plano dos EUA para Gaza
A Casa Branca divulgou os principais pontos do plano apresentado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para acabar com a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza.
A proposta americana prevê um governo internacional temporário, que seria chamado de “Conselho da Paz”, chefiado e presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.
O controle de Gaza seria posteriormente cedido à Autoridade Palestina.
O plano apresentado por Trump prevê um cessar-fogo permanente e a libertação de todos os reféns que continuam nas mãos do Hamas, vivos ou mortos.
Em troca, o governo israelense libertará presos palestinos e devolverá restos mortais de pessoas de Gaza.
O acordo sugere ainda que o território palestino não será anexada por Israel e que o Hamas não terá participação no futuro governo da região.
Integrantes do grupo palestino que se renderem seriam anistiados.
A proposta também inclui a retirada gradual das forças israelenses da região e a desmilitarização de Gaza.
Israel afirmou concordar com o plano e o Hamas declarou que aceita libertar todos os reféns no início do cessar-fogo e também renunciaria ao controle do território palestino.
O grupo porém, não deu mais informações sobre outros pontos-chave da proposta de Trump.
Delegações de Israel, EUA e Hamas se reúnem no Egito para negociar condições do plano que pode por fim aos dois anos de guerra na Faixa de Gaza.


