Harvard e MIT processam governo Trump por ameaça a vistos de alunos estrangeiros

Instituições contestam orientação de deportação de estudantes que não tenham aulas presenciais

da CNN*

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A Universidade de Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) entraram com um processo, nesta quarta-feira (8), contra o governo de Donald Trump. O motivo é a recente orientação, do Departamento de Imigrações dos Estados Unidos, para que sejam deportados os alunos estrangeiros no país cujas aulas no próximo semestre serão inteiramente online.

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No início desta semana, Harvard anunciou que todos seus cursos serão ministrados virtualmente, inclusive para os alunos que vivem no campus. Em comunicado enviado à CNN, a universidade disse que a orientação do governo afetaria cerca de 5 mil de seus alunos estrangeiros.

“A ordem foi imposta sem aviso prévio — sua crueldade foi superada apenas por sua imprudência. Parece que ela foi projetada propositalmente para pressionar faculdades e universidades a abrirem suas classes para aulas presenciais neste outono, sem levar em conta preocupações com a saúde e a segurança de estudantes, instrutores e outros”, disse o presidente da universidade, Larry Bacow.

Solicitar um visto para estudante sempre foi algo rigoroso, e mudar para os Estados Unidos para realizar cursos inteiramente online tornou-se algo proibido. A Imigração e a Alfândega mantiveram a proibição em suas orientações, ao mesmo tempo em que ofereceram certa flexibilidade para modelos híbridos, o que seria uma mistura de aulas online e presenciais.

A agência sugeriu que os estudantes, atualmente matriculados nos EUA, considerassem outras medidas, como a transferência para escolas com aulas presenciais.

Em uma seção de perguntas frequentemente feitas no site da Imigração, o Departamento de Segurança Interna argumentou que “todos os estudantes programados para estudar em uma instituição dos EUA no outono poderão fazê-lo, embora alguns sejam obrigados a estudar no exterior, se sua presença não for necessária para aulas presenciais nos Estados Unidos”.

O impacto sobre os estudantes

A medida impacta milhares de alunos que fizeram planos para estudar nos EUA e podem ter seus sonhos destruídos. É o caso de Danilo Fernandes, que foi à Nova York fazer Doutorado em Politicas Educacionais. Mas a Universidade de Columbia decidiu que as aulas a partir de setembro serão online.

“Eu me mudei para cá, tenho bolsa de estudo aqui e trabalho na universidade, me planejei para estudar aqui e agora eu vou ter que ir embora sem saber o que vai acontecer em seguida, se eu volto e quando eu volto” lamenta.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, estudantes vindos do exterior contribuíram com mais de 44 bilhões de dolares para a economia americana em 2018. Os alunos estrangeiros também movimentam economias locais, pagam aluguel, compram em lojas e supermercados.

Julia Iglesias cursa Engenharia Biomédica no estado de Indiana. A Universidade Purdue vai adotar o Sistema hibrido, com aulas on line e presenciais. Mas ela teme que a medida possa atrapalhar seus planos.

“É um custo alto que meus pais estão pagando para ter um choque desses, do dia para noite ter que fazer as malas e voltar para a casa” diz.

As universidades afirmam que a decisão do governo de não conceder uma exceção para cursos online os coloca em uma “situação insustentável” de ter que ou prosseguir com seus planos de operar virtualmente de maneira completa ou parcial, ou tentar fornecer aulas presenciais.

O processo impetrado também ressalta o desafio apresentado aos estudantes: “A apenas algumas semanas do início do semestre, esses estudantes são incapazes de se transferir para universidades que fornecem aulas presenciais, apesar da sugestão do governo de que o façam para evitar sua remoção do país”, diz o texto.

“Além disso, para muitos estudantes, retornar aos seus países de origem para participar de aulas online é impossível, impraticável, proibitivamente caro e/ou perigoso”, complementa.

Atualmente, existem mais de 1 milhão de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos.

(Com informações de Priscilla Alvarez, da CNN Internacional, Núria Saldanha e Fernando Henrique, da CNN em Nova York)

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