Houthis do Iêmen acusam Arábia Saudita de atacar aeroporto da capital

Grupo alinhado ao Irã afirma que bombardeio marca fim da desescalada e "não ficará sem resposta"

Eman Abouhassira e Gareth Jones, da Reuters
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O grupo Houthi, alinhado ao Irã e que controla o norte do Iêmen, acusou a Arábia Saudita nesta segunda-feira (13) de lançar ataques aéreos contra o aeroporto internacional de Sanaa e prometeu retaliar.

O porta-voz militar Houthi, Yahya Saree, classificou os ataques como uma "agressão flagrante" e afirmou que eles encerraram um período de desescalada no conflito de longa data. Ele disse que a Arábia Saudita arcaria com as consequências e que o ataque não ficaria sem resposta.

O escritório de comunicação do governo saudita não respondeu imediatamente às acusações.

Mais cedo nesta segunda-feira, o Ministério da Defesa do governo do Iêmen — reconhecido internacionalmente — informou que suas forças armadas haviam visado a pista do Aeroporto Internacional de Sanaa para impedir o pouso de uma aeronave iraniana.

Um porta-voz das forças armadas iemenitas disse que a aeronave pousou em segurança no aeroporto de Hodeidah, uma instalação controlada pelos Houthis.

O governo, que opera a partir do porto de Aden, no sul, conta com o apoio da Arábia Saudita e de outros estados do Golfo.

O Iêmen enfrenta uma guerra civil e conflitos por procuração envolvendo potências externas há mais de uma década, desde que os Houthis tomaram a capital e forçaram o governo reconhecido internacionalmente a se transferir para o sul.

Após anos de combates entre uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e os Houthis — conflito que desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo —, uma trégua estabelecida em 2022 tem se mantido em grande parte, apesar da escalada regional ligada à guerra entre Israel e Gaza (que levou os Houthis a atacar navios no Mar Vermelho) e ao conflito com o Irã.

A guerra civil iemenita, que já dura mais de uma década, intensificou-se no ano passado depois que um movimento separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos avançou por territórios no sul, fragmentando a coalizão liderada pela Arábia Saudita que havia sido criada para combater o grupo Houthi.

Moammar bin Mutahar Al-Eryan, ministro da Informação do governo reconhecido internacionalmente, afirmou que os Houthis estavam retendo uma aeronave pertencente ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha no aeroporto de Sanaa, mantendo também o piloto e o copiloto sob custódia.

Mais cedo nesta segunda-feira (13), o ministro da Defesa do governo havia declarado que já haviam sido esgotados os esforços diplomáticos para persuadir o Irã e os Houthis a interromper o que ele descreveu como violações do espaço aéreo iemenita por aeronaves iranianas.

Ele afirmou que as forças governamentais responderiam a qualquer aeronave hostil que violasse o espaço aéreo do Iêmen "por todos os meios disponíveis" e responsabilizou o Irã pela situação.