Identificação de novo suspeito dá esperança a pais de Madeleine McCann

Kate e Gerry McCann consideraram 'muito significativo' o anúncio da polícia sobre um novo suspeito; MP alemão presume que a garota foi morta

Kate McCann, cuja filha Madeleine desapareceu em Portugal em 2007, durante lançamento de livro em Londres
Kate McCann, cuja filha Madeleine desapareceu em Portugal em 2007, durante lançamento de livro em Londres Foto: Chris Helgren - 12.mai.2011/Reuters

Sarah Dean e Stephanie Halasz, da CNN

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Os pais da menina britânica desaparecida Madeleine McCann acreditam que o anúncio da polícia sobre um novo suspeito é um desenvolvimento “muito significativo” no caso. 

A filha de Kate e Gerry McCann tinha apenas 3 anos quando desapareceu do apartamento de férias da família na Praia da Luz, em Portugal, no dia 3 de maio de 2007. Ela nunca foi encontrada e ninguém foi acusado pelo seu desaparecimento.

Na quarta-feira, as polícias do Reino Unido e da Alemanha identificaram um alemão de 43 anos como um novo suspeito no caso. Autoridades britânicas descreveram o desenvolvimento como uma “nova linha de investigação significativa”, enquanto as autoridades alemãs revelaram que o suspeito já havia sido condenado por abusar sexualmente de crianças.

O porta-voz da família, Clarence Mitchell, disse nesta quinta-feira (4) que o anúncio policial britânico e alemão foi “a primeira vez em mais de 13 anos que [a polícia] focou em um indivíduo”. “Kate e Gerry sentem que é potencialmente muito significativo”, disse Mitchell à rádio da BBC. “Este é outro capítulo importante na busca pela filha”, acrescentou.

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A promotoria alemã de Braunschweig, no estado da Baixa Saxônia, disse em comunicado na quarta-feira que o suspeito está cumprindo uma longa sentença de prisão “por um assunto não relacionado”. Ele agora está sendo investigado por “possível assassinato” em conexão com Madeleine, informou o escritório.

Nesta quinta-feira (4), Hans Christian Wolters, porta-voz do Ministério Público alemão, disse à CNN que seu escritório presume que Madeleine está morta. Wolters disse que não iria elaborar quais evidências têm para apoiar essa conclusão, pois trata-se de uma investigação em andamento.

Wolters também explicou que, se a investigação levasse a acusações e a um julgamento, o suspeito seria julgado na Alemanha, pois o assassinato é um crime na Alemanha, como em Portugal, independentemente de onde o crime foi realizado.

No programa alemão de resolução de crimes “Aktenzeichen XY Unsolved” na emissora pública ZDF na noite de quarta-feira, Christian Hoppe, do Departamento Federal de Investigações Criminais da Alemanha, disse que nenhum corpo foi encontrado, mas “a investigação do Escritório Federal de Investigações Criminais levou à suposição de que Madeleine se tornou vítima de um assassinato”.

Em um comunicado enviado à CNN, os pais da menina desaparecida agradeceram às “forças policiais envolvidas por seus esforços contínuos na busca por Madeleine”. “Tudo o que sempre desejamos é encontrá-la, descobrir a verdade e levar os responsáveis à Justiça. Nunca perderemos a esperança de encontrar Madeleine viva, mas seja qual for o resultado, precisamos saber e precisamos encontrar a paz.”

Mitchell, em sua entrevista à Rádio 4 da BBC, destacou que, embora a polícia alemã classifique como uma investigação de assassinato, a polícia britânica ainda a trata como um caso de desaparecimento.

“Um cidadão britânico ainda está desaparecido e a polícia britânica se esforça para dizer que não há evidências de que ela tenha sido ferida, esteja morta ou viva, de modo que eles mantenham a mente aberta”, explicou ele.

Detalhes do suspeito

O suspeito alemão, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, morou na região do Algarve, em Portugal, de 1995 a 2007 e também tinha uma casa na Praia da Luz, cidade turística na qual Madeleine desapareceu, segundo o Ministério Público de Braunschweig.

A Polícia Metropolitana de Londres também revelou detalhes de dois carros ligados a ele na época do desaparecimento, e pediu ao público que repassasse qualquer informação sobre eles.

“O primeiro veículo é um VW T3 Westfalia campervan. É um modelo do início dos anos 80, com dois tons de cores, uma parte superior branca e a parte de baixo amarela. Tinha uma placa de registro em português”, afirmou o comunicado do Reino Unido.

“O suspeito teve acesso a esta van de pelo menos abril de 2007 até algum tempo depois de maio de 2007. Ela foi usada dentro e ao redor da área da Praia da Luz.”

“O segundo veículo é um Jaguar britânico de 1993, modelo XJR 6, com uma matrícula alemã e registrado na Alemanha”, acrescentou o comunicado. “Acredita-se que este carro tenha estado na Praia da Luz e arredores em 2006 e 2007. O carro foi originalmente registrado em nome do suspeito. Em 4 de maio de 2007, um dia após o desaparecimento de Madeleine, o carro foi repassado para outra pessoa na Alemanha.”

Kate e Gerry McCann não dão entrevistas pois querem que o foco permaneça no pedido da polícia por informações sobre os números de telefone e carros usados por esse novo suspeito, acrescentou o porta-voz da família.

A Polícia Metropolitana britânica começou a revisar o desaparecimento de Madeleine McCann em 2011, em uma investigação em larga escala conhecida como Operação Grange que custou pelo menos 11,75 milhões de libras esterlinas (R$ 74,55 milhões) até junho de 2019.

“Após o aniversário de dez anos (de desaparecimento), a polícia recebeu informações sobre um homem alemão conhecido por estar na Praia da Luz e nos arredores. Trabalhamos com colegas na Alemanha e em Portugal e esse homem é suspeito do desaparecimento de Madeleine”, disse o inspetor-chefe Mark Cranwell em comunicado quarta-feira.

Autoridades do Reino Unido oferecem uma recompensa de £ 20.000 (R$ 126,9 mil) por informações que levem à condenação dos responsáveis.

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