Ilha de Kharg sofreu poucos danos com ataques dos EUA, diz mídia iraniana
Maior parte da infraestrutura do centro de transporte de petróleo permaneceu intacta

Avaliações de danos na Ilha de Kharg, realizadas pelo Irã após os últimos bombardeios dos EUA, constataram que a maior parte da infraestrutura do importante centro de transporte de petróleo permaneceu intacta, segundo reportagem da mídia estatal iraniana, citando fontes locais.
A agência de notícias semioficial iraniana Mehr informou que a infraestrutura marítima da ilha, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, sofreu poucos danos durante os bombardeios dos EUA e continua operando normalmente.
Nesta terça-feira (7), o FIRMS (Sistema de Informação de Incêndios para Gerenciamento de Recursos) da NASA detectou vários pontos quentes na ponta sul e na costa oeste de Kharg.
Nenhuma das anomalias de calor, no entanto, indicava danos – o FIRMS também detecta queimas de gás natural provenientes das instalações petrolíferas da ilha.
Anteriormente, um oficial americano disse à CNN que os ataques da noite passada tinham como alvo alvos militares, e não as extensas instalações petrolíferas da ilha.
Os EUA já haviam atacado a Ilha de Kharg no mês passado, e o Comando Central dos EUA afirmou que os ataques visaram depósitos de minas e mísseis, entre outras instalações militares.
Importância da ilha
Durante as duas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio, enquanto ataques dos Estados Unidos e de Israel atingiram instalações militares e de energia em todo o Irã, um local permanecia notavelmente intacto.
Apesar de seu tamanho pequeno, a Ilha de Kharg é vital para a economia iraniana, sendo responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país – o que significa que qualquer ataque contra ela corre o risco de desencadear uma escalada significativa.
Mas em fevereiro, os EUA atacaram instalações militares na ilha. Locais relacionados ao comércio de petróleo não foram atingidos, segundo autoridades americanas e a mídia estatal iraniana.
Novas explosões foram registradas nesta terça-feira no local, informou a agência semi‑oficial Mehr. A emissora relatou “várias explosões”, sem detalhar o ocorrido.
Mas Trump ameaçou atacar também esses locais, caso o Irã continue bloqueando a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
A CNN compilou o que você precisa saber sobre esse gargalo crucial nas operações de exportação de petróleo do Irã.
A Ilha de Kharg é uma formação de coral com cerca de um terço do tamanho de Manhattan, localizada a apenas 25 quilômetros da costa do Irã, no Golfo Pérsico.
Quase todos os dias, milhões de barris de petróleo bruto jorram dos principais campos petrolíferos do Irã – incluindo Ahvaz, Marun e Gachsaran – através de oleodutos até a ilha, conhecida entre os iranianos como a “Ilha Proibida” devido ao rígido controle militar.
Seus longos cais, que se estendem em águas profundas o suficiente para acomodar superpetroleiros, fazem da ilha um local crucial para a distribuição de petróleo. Ela processa 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.
A ilha tem sido fundamental para a economia do Irã há muito tempo.
Um documento da CIA de 1984 afirmava que as instalações são “as mais vitais do sistema petrolífero iraniano, e sua operação contínua é essencial para o bem-estar econômico do país”.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, declarou recentemente que destruir o terminal “paralisaria a economia do Irã e derrubaria o regime”.
De acordo com a Reuters, o Irã fornece cerca de 4,5% do petróleo mundial, bombeando 3,3 milhões de barris de petróleo bruto e 1,3 milhão de barris de condensado e outros líquidos diariamente.
E a ilha tem recebido carregamentos de petroleiros "sem parar desde o início da guerra", de acordo com o TankerTrackers.com, que usa imagens de satélite, fotografias da costa e dados para rastrear remessas de petróleo bruto.
Nas semanas que antecederam os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, as exportações de Kharg aumentaram para níveis próximos aos recordes, afirmou o banco de investimentos americano JP Morgan em uma nota divulgada pela Reuters.
A capacidade de armazenamento em Kharg é estimada em cerca de 30 milhões de barris e, de acordo com a empresa de análise de comércio global Kpler, cerca de 18 milhões de barris de petróleo bruto estão atualmente armazenados lá, informou a Reuters.



