Índia bate recorde de mortes diárias por Covid-19

3.689 mortes foram registradas nas últimas 24h e país enfrenta problemas como falta de leitos e de oxigênio em hospitais

Tamires Vitorio, da CNN, em São Paulo

A situação da Índia permanece complicada neste domingo (2) após o país registrar um número recorde de 3.689 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, enquanto 392.488 novos casos da doença foram confirmados.

A Índia é o segundo país mais afetado no mundo pela pandemia, com mais de 19,5 milhões de pessoas infectadas. Até o momento, cerca de 215 mil pessoas já morreram por conta do novo coronavírus. No sábado, 1º de maio, foram registrados 401.993 novos casos. 

O sistema de saúde indiano já chegou ao seu limite, sem leitos ou oxigênio disponível para a quantidade de doentes.

Segundo uma pesquisa de 2017 feita pela Fundação de Saúde Pública da Índia, as dívidas hospitalares são responsáveis por deixar mais de 55 milhões de pessoas em estado de pobreza entre os anos de 2011 e 2012 e cerca de 90% dos mais pobres não têm seguro de saúde.

Em 2021, com a pandemia, o retrato da saúde indiana é ainda mais preocupante. 

Novas variantes

Segundo cientistas, as novas variantes encontradas na Índia são as responsáveis por uma taxa de transmissão da Covid-19 mais alta. No país, de acordo com os especialistas, pelo menos duas mutações têm deixado o vírus ainda mais perigoso e letal — uma delas é a que foi encontrada na África do Sul, enquanto a segunda tem como origem apontada a Califórnia, nos Estados Unidos. 

As duas mutações, segundo pesquisadores, podem ter tornado as células humanas mais vulneráveis ao vírus, capazes de evadir os anticorpos e as células imunes do corpo humano.

Hospital na Índia (02 de maio de 2021)
Sistema de saúde indiano já ultrapassou capacidade máxima
Foto: Reprodução / CNN

Dados da base de genoma GISAID apontam que 38% das amostras coletadas na Índia contém as duas variantes. A mutação causada por elas foi chamada de B.1.617.

Com as novas variantes, fica a preocupação de quão rápido o vírus está passando por mutações e se adaptando ao organismo humano. 

Sem lockdown nacional

Para evitar o contágio, cerca de 10 estados indianos impuseram algumas restrições, mesmo com a relutância do governo federal em impor um lockdown nacional. 

O estado oriental de Odisha tornou-se o último a anunciar um bloqueio de duas semanas, juntando-se a Delhi, Maharashtra, Karnataka e Bengala Ocidental. Outros estados, incluindo Uttar Pradesh, Telangana, Assam, Andhra Pradesh e Rajasthan impuseram toques de recolher noturnos ou bloqueios de fim de semana.

Medos de bloqueio

No mês passado, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, disse que todos os esforços deveriam ser feitos para evitar um bloqueio total do país. 

O governo federal teme que outro bloqueio tenha um impacto devastador na economia.

O lockdown imposto no ano passado após o primeiro surto de Covid-19 levou à perda de empregos, já que a produção econômica caiu um recorde de 24% em abril-junho de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O grande aumento de casos também levou a uma redução de profissionais da área de saúde e, de acordo com relatos da mídia, o governo planeja incentivar estudantes de medicina e enfermagem a ajudar nas instalações da Covid-19

Com o sistema de saúde da Índia cambaleando e o absenteísmo no local de trabalho aumentando — à medida que os funcionários adoecem ou cuidam de parentes — a ajuda internacional começou a chegar.

No domingo, o secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Dominic Raab, disse que enviaria mais ventiladores para a Índia “muito em breve”.

Países como os Estados Unidos enviaram equipamentos essenciais de oxigênio, produtos terapêuticos e matérias-primas para a produção de vacinas.

O governo de Modi foi criticado por permitir que milhões de pessoas em grande parte desmascaradas comparecessem a festivais religiosos e comícios políticos lotados em cinco estados durante março e abril. Os casos diários nesses estados aumentaram desde então.

*Com informações da Reuters