Integrantes do Talibã tomam palácio presidencial em Cabul

Oficial de segurança do Talibã disse que 'nenhum sangue foi derramado' na transferência de controle do palácio

Sarah El Sirgany e Tim Lister*, da CNN

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Integrantes do Talibã tomaram o palácio presidencial em Cabul, capital do Afeganistão, neste domingo (15). O prédio foi desocupado há poucas horas por funcionários do governo, incluindo o ex-presidente Ashraf Ghani, que fugiu do país.

De acordo com a rede Al Jazeera, que transmitiu cenas do Talibã ao vivo do palácio, um dos oficiais do grupo disse que Cabul era uma cidade diferente daquela que eles deixaram 20 anos atrás.

“Proteger Cabul é uma responsabilidade enorme. É diferente da cidade que deixamos há 20 anos”, relatou a Al Jazeera, citando o oficial do Talibã no palácio.

O correspondente da Al Jazeera no palácio relatou que três funcionários do governo afegão estiveram presentes na “entrega” do palácio ao Talibã.

Um oficial de segurança do Talibã disse que “nenhum sangue foi derramado” na transferência de controle do palácio. Ele também disse que há uma “transferência pacífica de instalações governamentais em andamento em todo o país”.

Um dos oficiais do Talibã também disse que quer um governo inclusivo no Afeganistão. Ele disse ainda que o líder do grupo e dois de seus representantes estão agora no Afeganistão e que virão para Cabul quando a situação de segurança melhorar.

Outro membro do Talibã presente para a cerimônia falou brevemente em inglês para dizer que já havia sido detido pelos Estados Unidos em Guantánamo.

Tomada do poder 

Depois de cercar Cabul, capital do Afeganistão, na manhã deste domingo (15), e oferecer garantias aos moradores da cidade de que desejava “assumir o controle da cidade pacificamente”, o grupo islâmico Talibã enviou representantes ao palácio presidencial para negociar a transição de poder.

O Talibã entrou em Cabul “pacificamente”, noticiou Nick Paton Walsh, da CNN, que está na capital afegã.

Caminho livre para os militantes

A retirada das tropas dos Estados Unidos depois de quase duas décadas no Afeganistão abriu caminho para o grupo islâmico enfrentar e derrotar as forças de segurança do país. Muitas cidades importantes caíram com pouca ou nenhuma resistência.

No comunicado divulgado neste domingo pelo porta-voz Zabihullah Mujahid, o Talibã afirmou que garantiria “a todos os bancos, empresas e casas de câmbio que estarão seguros e protegidos sob o Talibã e que ninguém tocará ou incomodaria ninguém em Cabul”.

“Todas as pessoas ricas, os empresários, devem estar seguros e protegidos. Nenhum dos combatentes do Talibã tem permissão de ir a qualquer casa ou fazer buscas em empresas. O Emirado Islâmico lhes dá proteção total e eles devem seguir seguros e sem preocupações”, disse Mujahid.

Estados Unidos retiram diplomatas da capital

Autoridades americanas informaram neste domingo (15) que diplomatas foram transportados de helicóptero da embaixada do país no distrito fortificado de Wazir Akbar Khan para um aeroporto, de onde deixarão o país.

Durante a saída do país, os principais membros da diplomacia norte-americana no país trabalhavam do aeroporto de Cabul, disse um funcionário.

Já um representante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que vários funcionários da União Europeia (UE) foram levados para um local mais seguro – não revelado – na capital afegã.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou, no sábado (14), o envio de 5.000 soldados norte-americanos para ajudar na retirada de cidadãos do país e garantir uma saída “ordeira e segura” das equipes militares.

Um funcionário da defesa dos Estados Unidos disse que isso incluía os 1.000 soldados recém-aprovados da 82ª Divisão Aerotransportada.

A embaixada brasileira em Islamabad também é responsável por representar o país junto ao Afeganistão.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não tem registro de brasileiros vivendo no Afeganistão e que “não está prevista, por ora, medida de proteção específica para os funcionários da Embaixada em Islamabad, uma vez que a cidade não está em zona de conflito”.

(Com informações de Clarissa Ward, Brent Swails e Tim Lister, da CNN, e da Reuters)

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