Intervenção dos EUA afetaria mais Brasil que Venezuela, diz Caracas
Chanceler venezuelano afirmou que países vizinhos sofreriam consequências lamentáveis de ação militar dos EUA
O ministro das Relações Exteriores de Nicolás Maduro, Yván Gil, disse nesta sexta-feira (31) que uma intervenção dos EUA no país afetaria mais o Brasil, a Colômbia e países do Caribe do que a própria Venezuela.
“Não seria a Venezuela quem pagaria as consequências mais lamentáveis de uma intervenção deste tipo. Estamos falando dos países vizinhos, a Colômbia, o Caribe, o Brasil, a própria Guiana, Trinidad e Tobago (...) sofreriam as consequências mais trágicas de qualquer intervenção”, disse o chanceler venezuelano.
Segundo ele, estes países próximos seriam mais afetados porque a Venezuela está preparada contra uma eventual ação pela administração de Donald Trump.
“Nós estamos preparados em perfeita união cívico militar policial, mas também com um senso histórico, patriótico, soberano, de continuar no caminho da Revolução Bolivariana, sob qualquer circunstância. Mas temos que fazer esse alerta”, expressou.
Para Gil, uma intervenção militar dos EUA em seu país poderia ter “consequências terríveis” para toda a região.
“A desestabilização desta zona que em 2014 declaramos como zona de paz é talvez a primeira dessas consequências que poderíamos viver se os Estados Unidos decidissem, de maneira irresponsável, uma intervenção militar”, expressou.
As declarações do chanceler foram feitas em um discurso para parlamentares caribenhos, em Caracas, para abordar a militarização da região e ameaças dos Estados Unidos contra o regime de Maduro.
Após enviar navios de guerra, um submarino nuclear, caças F-35 e mais de 4.500 fuzileiros navais para o Caribe, e realizar exercícios no Panamá e em Trinidad e Tobago, o governo Trump deve deslocar o maior porta-aviões do mundo para a região.
Desde o início de setembro, ataques no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico atingiram 15 botes e deixaram 61 mortos.
O argumento da Casa Branca é o combate ao tráfico de drogas para os EUA, mas Caracas afirma que a real intenção é provocar uma mudança de regime na Venezuela.
Nesta semana, o jornal The Wall Street Journal informou que os Estados Unidos identificaram alvos dentro da Venezuela que podem ser atacados, incluindo instalações militares que seriam usadas para contrabando de drogas.
O objetivo dos ataques seria desestabilizar o regime de Maduro, a quem a Casa Branca acusa de liderar um cartel.
Enquanto a mobilização militar no Caribe se intensifica, Trump negou nesta sexta (31), no entanto, estar considerando ataques em território venezuelano.


