Irã acusa Kuwait de atacar embarcação e deter iranianos
Teerã exige a libertação dos quatro cidadãos presos no Golfo e ameaça responder à ação que classifica como ilegal

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, está exigindo a libertação de quatro iranianos detidos pelo Kuwait, que suspeita que eles tentavam se infiltrar no país do Golfo.
“Em uma clara tentativa de semear discórdia, o Kuwait atacou ilegalmente uma embarcação iraniana e deteve quatro de nossos cidadãos no Golfo Pérsico”, escreveu Araghchi nesta quarta-feira no X. “Esse ato ilegal ocorreu perto de uma ilha usada pelos EUA para atacar o Irã.”
“Exigimos a libertação imediata de nossos cidadãos e nos reservamos o direito de responder”, acrescentou o ministro, sem abordar as acusações de tentativa de infiltração.
Na terça-feira (12), a mídia estatal kuwaitiana informou que as autoridades prenderam quatro indivíduos descritos como membros da IRGC (Guarda Revolucionária do Irã), que tentavam se infiltrar no país para “realizar atos hostis”.
Segundo a imprensa estatal do Kuwait, os iranianos tentaram entrar no país em 1º de maio a bordo de um barco de pesca e entraram em confronto com soldados kuwaitianos. O Irã negou as informações em um comunicado publicado pela agência de notícias Tasnim, afirmando que os quatro estavam “realizando patrulhas marítimas de rotina” para a guarda costeira iraniana e entraram em águas kuwaitianas apenas por causa de uma “falha no sistema de navegação”.
O incidente, se confirmado, seria a primeira tentativa conhecida de infiltração militar do Irã em um país árabe vizinho durante a guerra.
O que diz o Kuwait?
O ministro do Interior do país do Golfo disse que quatro infiltrados associados à Guarda Revolucionária do Irã haviam sido presos depois de tentarem entrar no país pelo mar.
De acordo com a mídia estatal kuwaitiana, um integrante das forças armadas do Kuwait ficou ferido após confrontos com os infiltrados.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 2.500 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.


