Irã ainda discute versão final de proposta para cessar-fogo, diz mídia
Agência estatal afirma que Teerã não devolveu documento e age com cautela devido a desconfiança histórica em relação aos Estados Unidos

A versão final da proposta do Irã para um acordo de cessar-fogo provisório com os Estados Unidos ainda está em análise e não foi devolvida aos mediadores, informou a agência de notícias semioficial iraniana Mehr, nesta terça-feira (2), citando uma "fonte informada" não identificada.
Segundo a fonte, "a versão final do acordo do Irã ainda está em discussão em Teerã e nenhuma resposta oficial foi dada até o momento", informou a agência de notícias Mehr, acrescentando que "o histórico dos Estados Unidos de descumprimento de compromissos, juntamente com a desconfiança de longa data, levou o Irã a abordar a questão com extrema cautela".
O Irã busca "benefícios reais e tangíveis" em qualquer possível acordo, afirmou a agência de notícias Mehr.
Isso ocorre um dia depois da agência de notícias estatal Tasnim ter afirmado que o Irã estava suspendendo as negociações com os EUA devido aos ataques israelenses no Líbano.
O presidente americano, Donald Trump, disse posteriormente que as negociações continuam em "ritmo acelerado".
Uma fonte regional com conhecimento das negociações disse à CNN na noite de segunda-feira (1º) que as conversas foram retomadas.
Desde meados de março, Trump tem repetidamente afirmado estar perto de assinar um acordo de paz, mas ainda não o fez. Apesar do cessar-fogo, o Irã e os EUA trocaram ataques diversas vezes na última semana.
Enquanto isso, o chefe da Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, Esmaeil Qaani, ameaçou expandir o bloqueio do Estreito de Ormuz para o Estreito de Bab el-Mandeb, outro ponto de estrangulamento na entrada do Mar Vermelho.
Teerã já bloqueou o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, região que antes da guerra fornecia um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, elevando drasticamente os preços.
Relembre como começou a guerra no Irã
No dia 28 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou um ataque "de grande escala" ao Irã, afirmando que o principal objetivo do país era "defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano".
Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear de Teerão – um ponto de atrito recorrente que também tem dificultado as negociações mais recentes para pôr fim aos combates.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã — que resultaram na morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — causaram milhares de mortes em todo o país e danos a dezenas de museus, edifícios históricos e sítios culturais, segundo veículos de imprensa e autoridades iranianas.
Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques retaliatórios em todo o Oriente Médio e fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Semanas antes do início da guerra, o governo Trump realizou o maior acúmulo militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003, desencadeando alertas sobre a escalada da violência regional caso um conflito eclodisse.
Ao mesmo tempo, enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um possível novo acordo nuclear. Mas essas negociações não foram capazes de evitar uma ação militar, com Trump acusando o Irã na época de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”.
O início da guerra em fevereiro também ocorreu após protestos em massa contra o regime no Irã no mês anterior, alimentados pelo descontentamento econômico em meio ao aumento vertiginoso dos custos.



