Irã ainda possui milhares de mísseis e drones, diz oficial dos EUA

Equipamentos são capazes de ameaçar as forças americanas e aliadas no Oriente Médio

Sean Lyngaas, da CNN
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O Irã ainda possui “milhares de mísseis” e drones de ataque unidirecional capazes de ameaçar as forças americanas e aliadas na região, apesar do bombardeio conjunto dos EUA e de Israel contra instalações militares iranianas, afirmou um alto oficial militar dos EUA a parlamentares nesta quinta-feira (16).

Milícias xiitas apoiadas pelo Irã também realizaram “centenas” de ataques contra forças americanas desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro, disse o tenente-general James Adams, chefe da Agência de Inteligência de Defesa.

A campanha de bombardeios dos EUA e de Israel, interrompida em meio ao cessar-fogo com o Irã, causou “degradação significativa das capacidades militares iranianas”, disse Adams a uma subcomissão do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes.

Citando fontes familiarizadas com avaliações recentes da inteligência americana, a CNN informou no início de abril que aproximadamente metade dos lançadores de mísseis do Irã ainda estavam intactos e que o país mantinha milhares de drones de ataque unidirecionais e um grande número de mísseis, apesar da campanha de bombardeio conjunta entre EUA e Israel.

Divergências nas negociações

Em meio a sugestões de uma segunda rodada de negociações entre o Irã e os Estados Unidos, as principais áreas de discordância entre os países continuam sendo o programa nuclear iraniano e o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou na segunda-feira (13) que, se as "linhas vermelhas" de Washington sobre as ambições nucleares do Irã forem atendidas, "este pode ser um acordo muito, muito bom para ambos os países".

Há dois pontos inegociáveis ​​para o presidente Donald Trump, segundo Vance:

  • Remover o urânio enriquecido do Irã do país;
  • Implementar medidas de verificação para garantir que o país não possa obter armas nucleares.

Ambos os lados propuseram a suspensão do enriquecimento de urânio iraniano, mas até agora não conseguiram chegar a um acordo sobre a duração dessa suspensão, disseram autoridades americanas à CNN.

Outros pontos de divergência incluem a velocidade e a extensão do alívio das sanções contra o Irã e o desbloqueio de seus ativos congelados no exterior, o apoio de Teerã a grupos armados como o Hezbollah e os Houthis, e as limitações ao seu programa de mísseis balísticos.

Os EUA também querem o desmantelamento das principais instalações de enriquecimento nuclear do Irã, que foram gravemente danificadas durante os bombardeios americanos do ano passado.

Os iranianos se recusam a abrir mão de seu urânio altamente enriquecido e já se ofereceram para diluí-lo. A Agência Internacional de Energia Atômica estimou no ano passado que o Irã possuía 460 quilos de urânio enriquecido a 60% de pureza.

Além disso, o Irã afirmou que a plena liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz só pode ser restaurada como parte de um acordo mais amplo, enquanto os EUA exigem a reabertura imediata da passagem.

Vance declarou à Fox News na segunda-feira (13): “Precisamos ver o Estreito de Ormuz totalmente aberto. E este é, francamente, um dos pontos em que os iranianos tentaram mudar as regras do jogo durante a negociação.”

O Irã também insiste em garantias internacionais de que não será atacado novamente, e não apenas em um cessar-fogo.

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