Irã ataca Bahrein e Kuwait após EUA bombardearem sul do país

Ofensivas afetam navegação crítica, enquanto Houthis do Iêmen ameaçam artérias energéticas globais com novo bloqueio

Jana Choukeir, Nayera Abdallah e Elwely Elwelly, da Reuters
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Forças dos Estados Unidos bombardearam alvos no sul do Irã durante a madrugada, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Teerã pagaria caro pelas mortes de soldados norte-americanos, enquanto Teerã atacou instalações dos EUA no Barein, no Kuwait e na Jordânia, e um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz.

Essas trocas de ataques ocorreram um dia depois que os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram que imporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial na guerra e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio além do Golfo Pérsico.

Apesar do ciclo crescente de ataques que praticamente destruiu um acordo de paz provisório assinado no mês passado, sinais de que Teerã e Washington desejam retomar as negociações mantiveram os preços do petróleo sob controle.

O Comando Central dos EUA informou ter concluído sua última rodada de ataques ao Irã, afirmando ter atingido centros de comando militar iranianos, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones, além de sistemas de defesa aérea.

Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, enquanto Konarak e Chabahar, na costa sul, também foram alvo de ataques, segundo a mídia estatal.

À medida que as hostilidades se espalhavam pela região, o Departamento de Estado dos EUA emitiu um novo alerta global de segurança para americanos, citando a "tensão elevada no Oriente Médio".

Ataques do Irã na região

O Irã respondeu com novos ataques em todo o Golfo Pérsico, onde recentes ataques a instalações de dessalinização geraram preocupações com a escassez de água e ressaltaram a crescente ameaça à infraestrutura civil.

Ataques a usinas de geração de energia e de dessalinização de água no Kuwait, ocorridos na segunda-feira (20), provocaram incêndios que foram extintos até esta terça-feira (21), com reparos já em andamento, segundo as autoridades.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado infraestruturas no Bahrein pertencentes à empresa de tecnologia americana Amazon, em retaliação ao que descreveu como um ataque dos EUA ao canteiro de obras da futura usina nuclear iraniana de Darkhovin.

A mídia estatal iraniana relatou que forças do país também atacaram instalações de alojamento utilizadas por militares americanos na Base Aérea Sheikh Isa, no Bahrein. Não houve comentário imediato por parte das forças armadas dos EUA, do Bahrein ou da Amazon sobre os incidentes relatados, que a Reuters não conseguiu verificar.

O Exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra três bases militares dos EUA no Kuwait nesta terça-feira. A Guarda Revolucionária disse ter atacado uma instalação militar dos EUA na Jordânia, enquanto a Jordânia informou que suas forças interceptaram e destruíram cinco drones iranianos.

Petroleiros atingidos

A agência de segurança marítima UKMTO informou nesta terça-feira (21) que um petroleiro no Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil desconhecido, forçando a tripulação a abandonar a embarcação e embarcar em um bote salva-vidas.

Também nesta terça-feira, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que dois petroleiros pegaram fogo após explosões enquanto tentavam transitar pela rota sul do Estreito de Ormuz. Não ficou claro de imediato quando esses incidentes ocorreram.

Apenas quatro navios de carga de commodities cruzaram o estreito na segunda-feira (20) — a maioria utilizando a rota de navegação norte, próxima à costa do Irã —, uma queda em relação aos sete navios do dia anterior, segundo dados da Kpler.

O Irã vinha pressionando os Houthis para fechar o estreito de Bab el-Mandeb, a entrada para o Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana — colocando em risco duas das artérias energéticas mais vitais do mundo.

Um fechamento total de Bab el-Mandeb poderia reduzir a oferta global de petróleo em 7%, pois impediria a saída da maior parte das exportações de petróleo saudita da região, somando-se ao corte de 10% nos fluxos de petróleo decorrente da guerra no Golfo.

Os mercados de petróleo ponderaram a ameaça à navegação frente aos relatos de esforços diplomáticos para conter o conflito, com os preços de referência do petróleo Brent (LCOc1) registrando leve alta nas negociações matinais.

Esforço diplomático para restaurar o cessar-fogo

Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à agência de notícias Reuters na segunda-feira (20) que Teerã havia recebido uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, como parte dos esforços para salvar o acordo provisório destinado a abrir caminho para um acordo duradouro que encerrasse a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

Israel não participou da rodada mais recente de ataques ao Irã. "Não temos desejo de nos envolver nisso, mas estamos preparados para qualquer cenário", disse o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, nesta terça-feira (21).

O ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. Mais tarde, ele chegou a Islamabad para novas conversas.

A fase mais recente dos combates mostrou-se uma das mais letais do conflito para as forças dos EUA. O número de mortes de militares americanos subiu para 17 durante o fim de semana.

Trump, sob crescente pressão interna devido à alta dos preços da gasolina desde o início da guerra, afirmou que os ataques mais recentes dos EUA ao Irã eram uma retaliação pelas mortes de militares americanos.

"Toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará caro por essa morte — muitas vezes mais!", escreveu o presidente americano na Truth Social.