Irã ataca bases dos EUA nos Emirados Árabes e no Kuwait

Exército iraniano afirma ter usado mísseis e drones contra instalações militares americanas no Golfo

Da Reuters
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O Exército do Irã afirmou nesta quinta-feira (3) que suas forças atingiram bases militares dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e no Kuwait com mísseis e drones durante a manhã.

Em comunicado, o Exército disse ter atacado sistemas de comunicação por satélite, depósitos de equipamentos e hangares de caças na Base Aérea de Ahmad al-Jaber, no Kuwait, causando vítimas.

Além disso, os militares afirmaram ter usado mísseis e drones para atingir instalações, incluindo sistemas de radar, na Base Aérea de Al Minhad, nos EAU.

O comunicado ressaltou que o Irã responderá de forma “resoluta e devastadora” a qualquer ataque dos Estados Unidos.

Fim da trégua após um mês marcou semana

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou que atingiu, na terça-feira (1°), sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos marítimos, estruturas de colocação de minas e instalações de comunicação do IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica).

Segundo a agência semioficial Tasnim, três pilotos do Exército iraniano morreram após os bombardeio. Teerã também responsabilizou os Estados Unidos pela morte de cinco pessoas em um casamento, o que Washington nega.

A imprensa iraniana informou que vários alvos foram atingidos perto do Estreito de Ormuz. O Irã afirmou ter atacado instalações americanas na Jordânia e no Iraque, segundo comunicados oficiais, enquanto veículos de imprensa iranianos disseram que o país também atacou o Bahrein.

Embora o IRGC tenha afirmado ter matado um grande número de militares americanos na Jordânia, dois funcionários dos EUA disseram à Reuters que, segundo avaliações iniciais, não houve vítimas.

As Forças Armadas da Jordânia disseram que seus sistemas de defesa aérea lidaram com 13 mísseis balísticos que entraram no espaço aéreo do país. Dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. O Bahrein afirmou que drones iranianos foram interceptados e destruídos.

O IRGC também afirmou que suas forças terrestres realizaram ataques combinados com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil, no norte do Iraque, matando vários militares dos EUA. Nem o Iraque nem os Estados Unidos haviam confirmado o ataque.

Conflito desgasta os dois lados

O confronto encerra um impasse de meses iniciado em julho, período em que os dois lados mantiveram os ataques em grande parte suspensos, mas não demonstraram disposição para negociar.

A economia iraniana, debilitada pela guerra, e suas forças convencionais enfraquecidas deixaram o país sob forte pressão. Enquanto isso, o Exército dos EUA consumiu grande parte de seu estoque global de mísseis de precisão de longo alcance, informou a Reuters no mês passado, aumentando as preocupações sobre a capacidade americana de se preparar para futuros conflitos.

Ainda assim, a retomada das hostilidades provocou uma nova troca de declarações desafiadoras.

"Gosto muito mais da nossa posição agora, com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles entrando em colapso total", disse Trump.

"Eles estão apenas adiando o inevitável. Quando o povo iraniano vai se levantar e lutar?"

O comando militar conjunto do Irã respondeu com um alerta de que qualquer país que ajude "o mal americano na região será alvo de respostas mais pesadas, mais amplas e devastadoras, e qualquer país que coopere com o agressivo Exército americano terá de aceitar suas consequências perigosas".

Enquanto Washington ameaça paralisar a economia iraniana com sanções, o governo Trump também enfrenta problemas econômicos próprios, com o conflito elevando os preços dos combustíveis às vésperas das eleições parlamentares de novembro.

As ações asiáticas caíram nesta quarta-feira depois que a retomada dos ataques aéreos americanos levou os preços do petróleo ao maior nível em cinco semanas e elevou o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos ao maior patamar em quase três anos, ampliando a onda de vendas no mercado de títulos em todo o mundo.