Irã diz que ainda não tomou decisão final sobre acordo com os EUA; entenda
Presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que um memorando seria assinado hoje — data de seu 80º aniversário

O Irã ainda não tomou uma decisão final sobre o memorando de entendimento proposto entre Washington e Teerã, segundo informou mais cedo a mídia estatal do país, apesar da afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo seria assinado neste domingo (14) — data de seu 80º aniversário.
No entanto, não houve confirmação por parte de Teerã de que um texto final tenha sido acordado.
Se você está acompanhando agora, veja o que mais aconteceu neste domingo:
- Setores conservadores do Irã estão reagindo contra partes do acordo relatado com os Estados Unidos. Um dos principais representantes da linha dura, Mahmoud Nabavian, afirmou que, caso o Irã assine o acordo, “nos tornaremos efetivamente uma colônia dos Estados Unidos”;
- Negociadores do Catar, em coordenação com Washington, viajaram para Teerã nesta manhã para ajudar a viabilizar a conclusão do acordo, segundo uma fonte com conhecimento das negociações ouvida pela CNN;
- Israel afirma ter realizado ataques aéreos contra redutos do Hezbollah no sul de Beirute em resposta a disparos feitos mais cedo contra o norte do território israelense;
- Aviões-tanque de reabastecimento aéreo dos Estados Unidos destinados à guerra contra o Irã estão congestionando os aeroportos israelenses, segundo o ministro dos Transportes de Israel, o que pode resultar no cancelamento de voos durante o verão;
- Diversos bancos iranianos foram alvo ontem de um ataque cibernético de alcance limitado, de acordo com o secretário do conselho de coordenação bancária do país;
- Em outra frente, a seleção nacional de futebol do Irã realizou seu último treino no México antes de seguir para Los Angeles, onde disputará na segunda-feira sua estreia na Copa do Mundo de 2026.
Entenda o caso
O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que um memorando seria assinado hoje — data de seu 80º aniversário. No entanto, não houve confirmação por parte de Teerã de que um texto final tenha sido acordado.
Setores conservadores do Irã estão reagindo contra alguns pontos do acordo de paz relatado entre o país e os EUA.
Um dos principais representantes da linha-dura iraniana, Mahmoud Nabavian, afirmou que, se o Irã assinar o tratado, "nos tornaremos efetivamente uma colônia dos Estados Unidos". Segundo ele, o entendimento significaria abrir o estratégico Estreito de Ormuz "até mesmo para Israel".
"Se quisermos realizar até mesmo a menor quantidade de enriquecimento de urânio, primeiro teríamos de obter autorização dos Estados Unidos — inclusive para fins como produzir medicamentos ou eletricidade", acrescentou Nabavian.
Ele também afirmou que não está claro quando o Irã se beneficiaria da liberação de seus ativos congelados no exterior ou do alívio das sanções.
"Quanto mais sinais de fraqueza enviarmos, mais a guerra se aproximará de nós", disse Nabavian em entrevista à televisão.
O texto do acordo ainda não foi divulgado oficialmente.
Diversos veículos de comunicação iranianos também alertaram contra divisões internas.
O jornal Javan, considerado próximo à IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), afirmou que alguns oradores em manifestações públicas estariam ignorando orientações do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e "agindo para semear cisma e divisão entre a população".
Participantes de um ato em Teerã no sábado pediram a renúncia do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo vídeos divulgados nas redes sociais.
Os manifestantes também relembraram o assassinato, no início do conflito em fevereiro, do pai de Khamenei — o então líder supremo — entoando o slogan:
"Ghalibaf, Araghchi — e o sangue do meu líder?"
Já Ali Rabiei, aliado do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, rebateu as críticas neste domingo e alertou contra a criação de "narrativas artificiais".
*Com informações de Aida Karimi, Charlotte Reck, Tim Lister, Eugenia Yosef, Charbel Mallo, Tal Shalev e Chris Lau, da CNN



