Irã diz que EUA podem ser "pegos em fogo cruzado" caso não deixem Ormuz
Afirmação do chanceler iraniano acontece após Trump acusar Teerã de derrubar um helicóptero do Exército Americano

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, instou as forças estrangeiras a deixarem o Estreito de Ormuz ou correrem o risco de serem "pegos em constante perigo", após o presidente dos EUA, Donald Trump, acusar Teerã de abater um helicóptero Apache do Exército na costa de Omã.
"As forças estrangeiras próximas ao nosso território correm risco constante devido a erros humanos, acidentes ou por potencialmente serem pegas em fogo cruzado", disse Araghchi nesta terça-feira (9), em uma publicação na rede social X.
"Para reduzir o risco, a melhor solução é que as forças estrangeiras deixem, o mais rápido possível, um ambiente que nunca será hospitaleiro a uma presença hostil", acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores iraniano acrescentou que, embora Teerã prefira "a linguagem da diplomacia... como nossos bravos guerreiros demonstraram ao mundo, também sabemos falar outras línguas", ecoando uma declaração semelhante feita anteriormente pelo principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O ministro das Relações Exteriores afirmou que o Estreito de Ormuz não é considerado águas internacionais, mas sim compartilhado pelo Irã e Omã. Ele prometeu que as forças armadas iranianas estão em constante alerta para “qualquer violação do espaço aéreo, território ou águas territoriais do Irã”.
Embora o estreito esteja localizado dentro das águas territoriais do Irã e de Omã, ele é considerado um estreito internacional pela CNUDM (Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar), o que significa que embarcações estrangeiras, incluindo navios de guerra, têm o direito de “trânsito” irrestrito por ele.
Nem o Irã nem os Estados Unidos ratificaram a CNUDM, e Teerã rejeita a disposição que permite o trânsito.
Acusação de Trump
Mais cedo, Trump afirmou que foi informado pelo Exército Americano que o Irã abateu um helicóptero Apache dos EUA que caiu na costa de Omã.
Ele pontuou que as Forças Armadas dos EUA "devem, necessariamente, responder a este ataque".
"Acabei de ser informado por nossas Forças Armadas que, na noite passada, os iranianos abateram um de nossos sofisticados helicópteros Apache enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz. Havia dois pilotos envolvidos, ambos estão seguros e ilesos", publicou o presidente na Truth Social.
"Mesmo assim, os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque", disse ele.
Um drone marítimo americano resgatou os dois tripulantes do helicóptero. O caso marcou a primeira perda de um Apache desde o início do conflito com o Irã.



