Irã diz que poderia diluir o urânio enriquecido se sanções forem levantadas
Representantes iranianos e dos EUA se reuniram no Omã na semana passada em um esforço para reativar as relações diplomáticas entre os países

O Irã poderia concordar em diluir o urânio mais altamente enriquecido em troca do levantamento de todas as sanções financeiras, disse o chefe da agência nuclear nesta segunda-feira (9), uma das indicações mais diretas até agora sobre sua posição nas negociações com Washington.
Diplomatas dos EUA e do Irã realizaram conversas por meio de mediadores no Omã na semana passada, em um esforço para reativar a diplomacia, após o presidente dos EUA, Donald Trump, posicionar uma flotilha naval na região, aumentando temores de uma nova ação militar.
As conversas seguem a repressão a manifestações antigovernamentais no Irã no mês passado, quando milhares de pessoas foram mortas, sendo o maior distúrbio interno desde a Revolução Islâmica de 1979.
Trump participou no ano passado de uma campanha de bombardeios israelense e atingiu locais nucleares iranianos. Ele também ameaçou, no mês passado, intervir militarmente durante os protestos, mas acabou não o fazendo.
Washington exige que o Irã abra mão de seu estoque — estimado no ano passado pela agência nuclear da ONU em mais de 440 kg — de urânio enriquecido até 60% de pureza físsil, um pequeno passo abaixo dos 90% considerados grau de armamento.
O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, disse nesta segunda-feira: “A possibilidade de diluir urânio enriquecido a 60%… depende de, em troca, todas as sanções serem levantadas ou não.”
Eslami, cujas declarações foram reportadas pela agência de notícias ISNA do Irã, afirmou, no entanto, que outra proposta — enviar o urânio altamente enriquecido do Irã para outro país — não foi discutida nas conversas com funcionários dos EUA.
Conselheiro do líder supremo visitará o Omã
Ali Larijani, conselheiro próximo ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e secretário do conselho de segurança nacional do país, visitará Omã nesta terça-feira (10) após as negociações entre EUA e Irã no local, informou a agência de notícias semioficial Tasnim.
“Durante esta viagem, (Larijani) se reunirá com autoridades de alto escalão do Sultanato de Omã e discutirá os últimos desenvolvimentos regionais e internacionais, bem como a cooperação bilateral em vários níveis”, disse a Tasnim.
A data e o local da próxima rodada de negociações ainda não foram anunciados. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira que uma nova rodada de conversas seria “uma oportunidade apropriada para uma resolução justa e equilibrada deste caso” e que um resultado desejado poderia ser alcançado se os EUA evitarem posições maximalistas e cumprirem seus compromissos.
O Irã continuará a exigir o levantamento das sanções e a insistir em seus direitos nucleares, incluindo o enriquecimento, disse ele.
O Irã e os EUA realizaram cinco rodadas de negociações no ano passado sobre o controle do programa nuclear de Teerã, com o processo sendo interrompido principalmente devido a disputas sobre o enriquecimento de urânio dentro do Irã.
Desde que Trump atingiu instalações iranianas, Teerã afirmou ter interrompido atividades de enriquecimento. O país sempre declarou que seu programa nuclear é exclusivamente para fins pacíficos.
Os Estados Unidos queremos incluir o arsenal de mísseis balísticos do Irã nas negociações, mas Teerã descartou essa possibilidade.
Em um pronunciamento televisionado exibido nesta segunda-feira, Khamenei conclamou os iranianos a participarem do próximo aniversário da Revolução Islâmica.
“A presença do povo na marcha e sua demonstração de lealdade à República Islâmica fará com que o inimigo deixe de cobiçar o Irã”, disse Khamenei.


