Irã está aberto a concessões no acordo nuclear, diz ministro

Contrapartida deve ser retirada de sanções por parte dos EUA

Da CNN Brasil*
Silhueta do presidente dos EUA, Donald Trump, à frente de bandeira do Irã em foto de ilustração 17/04/2025
Conversas acontecem mesmo após Trump ter adotado um tom pessimista na sexta-feira (13)  • 17/04/2025 - Dado Ruvic/Reuters
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O Irã está pronto para considerar concessões para chegar a um acordo nuclear com os Estados Unidos, caso Washington esteja disposto a discutir o levantamento das sanções, disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, em entrevista à BBC publicada neste domingo (15).

A autoridade afirmou que o país está preparado para discutir restrições ao seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções, mas reiteradamente descartou vincular a questão a outros assuntos, incluindo mísseis.

O chefe do programa nuclear iraniano afirmou na segunda-feira que o país poderia concordar em diluir seu urânio mais enriquecido em troca da suspensão de todas as sanções financeiras. Takht-Ravanchi usou esse exemplo na entrevista à BBC para destacar a flexibilidade do Irã.

O diplomata sênior reiterou a posição de Teerã de que não aceitará o enriquecimento zero de urânio, o que havia sido um obstáculo fundamental para se chegar a um acordo no ano passado, já que os EUA consideram o enriquecimento dentro do Irã um caminho para a obtenção de armas nucleares.

O Irã nega estar buscando tais armas nucleares.

Negociações

Takht-Ravanchi confirmou que uma segunda rodada de negociações nucleares ocorrerá na terça-feira (17) em Genebra, depois que Teerã e Washington retomaram as discussões em Omã no início deste mês.

"As conversas iniciais seguiram, em geral, numa direção positiva, mas é muito cedo para tirar conclusões", disse Takht-Ravanchi à BBC.

Tanto o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, quanto o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, devem comparecer.

Postura de Trump

As conversas acontecem mesmo após Trump ter adotado um tom pessimista na sexta-feira (13) ao discutir as negociações em curso sobre um possível acordo nuclear, dizendo que os iranianos não têm um bom histórico.

"Eu diria que eles querem conversar, mas até agora, eles falam muito e não fazem nada", disse Trump.

Ele também sugeriu que uma mudança de regime no país seria "a melhor coisa que poderia acontecer".

Por parte dos EUA, a agência de notícias políticas Axios informou que Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concordaram, em uma reunião na Casa Branca na última quarta-feira (11), que os EUA trabalhariam para reduzir as exportações de petróleo do Irã para a China.

"Concordamos em exercer pressão máxima contra o Irã, por exemplo, em relação às vendas de petróleo iraniano para a China", informou Axios no sábado (14), citando um alto funcionário norte-americano.

Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã de 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, a principal conquista de política externa do ex-presidente democrata Barack Obama.

O acordo aliviou as sanções contra o Irã em troca de Teerã limitar seu programa nuclear para impedi-lo de produzir uma bomba atômica.

*Com informações da CNN Internacional e de Reuters