Israel aprova lista de alvos de energia e infraestrutura no Irã, diz fonte
Oficiais israelenses informaram à CNN que a medida é uma preparação para caso as negociações fracassem

Israel aprovou uma lista atualizada de alvos de energia e infraestrutura no Irã em preparação para um possível cenário em que as negociações diplomáticas com os EUA fracassem, disseram duas fontes israelenses à CNN.
“Israel aguarda a decisão de Trump sobre os próximos passos, mas temos planos adicionais para as próximas semanas, dependendo da aprovação americana”, disse uma das fontes, um oficial de segurança israelense.
Israel está bastante cético quanto à possibilidade de um acordo, disse a outra fonte israelense.
Ele acrescentou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou suas preocupações sobre possíveis acordos de cessar-fogo em recentes conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizando que Israel acredita que qualquer cessar-fogo deve exigir que o Irã entregue todo o seu urânio enriquecido e se comprometa com a interrupção completa de suas atividades de enriquecimento.
Netanyahu e Trump conversaram por telefone na noite de domingo (5), após o resgate dos dois pilotos americanos abatidos sobre o Irã. A fonte israelense que foi informada sobre a conversa disse que os dois líderes discutiram as perspectivas diplomáticas, bem como uma maior coordenação militar entre Israel e os EUA no Irã.
Planos de Trump
Mais cedo, Trump disse que tem um plano onde as pontes e usinas de energia do Irã poderiam ser destruídas até a meia-noite de quarta (8), no horário local, 1h no horário de Brasília.
“Quero dizer, destruição completa até à meia-noite. E isso aconteceria ao longo de quatro horas se quiséssemos. Mas não queremos que isso aconteça”, afirmou Trump.
No fim de semana, Trump parecia estabelecer um novo prazo para que o Irã reabra totalmente o Estreito de Ormuz. “Terça-feira, 20h, horário do leste dos EUA” (21h no horário de Brasília), escreveu ele, após enviar uma mensagem com palavrões renovando ameaças de bombardear infraestruturas-chave iranianas, incluindo usinas de energia, caso Teerã não cumpra.
Atacar infraestruturas civis críticas poderia ser considerado um crime de guerra. Trump declarou e depois modificou os prazos para a abertura do estreito várias vezes.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.



