Israel toma castelo da era das Cruzadas no Líbano; Netanyahu ordena avanço
Exército israelense anunciou captura de fortaleza da era das Cruzadas enquanto continua avanço ao Norte do território libanês
As FDI (Forças de Defesa de Israel) capturaram um castelo estratégico da era das Cruzadas no sul do Líbano, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordena que as tropas aprofundem a incursão no território do país vizinho.
A captura do Castelo de Beaufort, perto da cidade de Nabatiyeh e a cerca de 14,5 quilômetros da fronteira israelense, ocorre após dias de intensos combates na região.
“A operação tem como foco estabelecer o controle operacional da Cordilheira de Beaufort e da área de Wadi al-Saluki”, afirmou o comunicado das FDI neste domingo (31), acrescentando que tem o objetivo de desmantelar a infraestrutura do Hezbollah em ambas as áreas.
O castelo, construído pelos cruzados em um penhasco com vista para o rio Litani há cerca de 900 anos, é considerado há muito tempo um local estratégico no sul do Líbano e foi ocupado por militares israelenses em conflitos anteriores. Israel o ocupou pela última vez há 26 anos.
“A operação começou há alguns dias, durante os quais um número significativo de soldados das FDI iniciou operações ofensivas com o objetivo de expandir a Linha de Defesa Avançada”, disseram as FDI.
“A partir da crista de Beaufort, terroristas do Hezbollah coordenaram atividades militares e de combate e realizaram inúmeros ataques”, afirmaram.

No sábado (30), a agência de notícias estatal libanesa NNA noticiou ataques aéreos israelenses e “bombardeios intensos” na área ao redor do castelo. O Hezbollah também alegou ter destruído um tanque israelense perto do castelo.
Três dias atrás, a Prefeitura de Arnoun denunciou os bombardeios israelenses na região e pediu que organizações internacionais protegessem o castelo, informou a NNA.
Netanyahu elogiou a operação neste domingo, dizendo: “Retornamos a Beaufort mais fortes do que nunca.”
“Nossos bravos combatentes capturaram o posto avançado de Beaufort. Eles hastearam com orgulho a bandeira do Estado de Israel e a bandeira da Brigada Golani”, disse Netanyahu.
Ele acrescentou que a captura de Beaufort é uma “etapa dramática e uma mudança drástica na política que estamos conduzindo”.
O Castelo de Beaufort foi descrito pela Unesco como “um dos exemplos mais bem preservados de castelos medievais no Oriente Médio”.

Foi também um dos 34 bens culturais libaneses aos quais a Unesco concedeu proteção provisória reforçada – o nível mais alto de imunidade contra qualquer ataque ou uso para fins militares — no final de 2024, após a invasão terrestre israelense do Líbano.
O castelo foi palco de intensos combates entre o Exército israelense e a Organização para a Libertação da Palestina em 1982, quando Israel ocupou o sul do Líbano, e sofreu “danos significativos” durante os 18 anos de ocupação, antes da retirada do exército israelense em 2000, segundo a Unesco.
Apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA, acordado entre os governos israelense e libanês em abril, os confrontos entre o Hezbollah e as forças israelenses se intensificaram.
Nos últimos dias, Israel expandiu suas operações, avançando mais profundamente em território libanês, e Netanyahu afirmou na sexta-feira que as forças israelenses cruzaram o rio Litani, que corre a cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira de Israel.
Netanyahu declarou neste domingo que "minha diretriz agora é aprofundar e expandir nosso controle sobre as áreas que estavam sob o domínio do Hezbollah".
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter "expandido suas operações contra alvos do Hezbollah ao norte do rio" e em "areas adicionais", em comunicado divulgado neste domingo. Nos últimos dias, os militares emitiram uma série de ordens de retirada para vilarejos ao norte do Litani.
A intensificação dos combates entre Israel e o Hezbollah pode colocar em risco qualquer acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que insiste na inclusão de um cessar-fogo no Líbano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a Netanyahu na semana passada que apoiava a "liberdade de ação contra ameaças em todas as frentes, incluindo o Líbano", disse uma autoridade israelense à CNN.



