Israel dobra tropas contra o Hezbollah e faz buscas no sul do Líbano

Após dar ordem de retirada aos moradores, militares israelenses estão revistando casas em busca de infraestrutura militar

Maya Gebeily, da Reuters
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Israel mais do que dobrou o número de tropas ao longo de sua fronteira com o Líbano desde 1º de março e está revistando casas em vilarejos do sul do Líbano já vazias após dar ordem de retirada, disse um comandante israelense sênior nesta quarta-feira (18).

Enquanto aviões de guerra israelenses bombardeavam Beirute em operações contra o Hezbollah, que se tornaram o desdobramento mais letal da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, era possível ver uma fumaça densa subindo de vilarejos no sul do país, ao mesmo tempo em que tropas disparavam artilharia através da fronteira.

Centenas de milhares de libaneses fugiram do sul desde que Israel ordenou a retirada das pessoas da área próxima ao rio Litani, considerada por Israel um reduto do Hezbollah, apoiado pelo Irã. O grupo tem disparado foguetes contra Israel desde que entrou na guerra em apoio a Teerã em 2 de março.

"O plano é garantir que o Hezbollah não tenha infraestrutura militar", disse o comandante, cujo nome foi omitido pelos militares israelenses por motivos de segurança.

O comandante, que conversou com a Reuters em Eilon, cidade israelense a quatro quilômetros da fronteira, é responsável pela guerra de infantaria no Líbano e recusou-se a dizer quantos soldados Israel já havia posicionado na área.

Ao descrever as fortificações militares dentro do Líbano como "posições defensivas", ele disse que as tropas estavam revistando "os vilarejos para ver se o Hezbollah escondia armas ou centros de comunicação".

Questionado se isso inclui revistar casas onde os moradores haviam fugido seguindo ordens israelenses, o comandante disse: "Em alguns casos, eles esconderam suas armas nas casas. Não temos escolha a não ser nos certificarmos de que aquela casa não é uma instalação militar."

O Hezbollah negou publicamente o uso de infraestrutura civil para armazenamento de armas. O grupo acusa Israel de destruir casas para impedir o retorno dos libaneses, algo que Israel nega. Muitos vilarejos no sul do Líbano foram completamente destruídos.

Dois soldados israelenses foram mortos desde o início das operações no sul do Líbano, segundo o Exército israelense.

Pelo menos 968 pessoas foram mortas no Líbano desde o início dos ataques de Israel, segundo autoridades libanesas.

O Hezbollah não tem fornecido atualizações regulares sobre as mortes de seus combatentes. Na segunda-feira (16), um integrante do Hezbollah disse à Reuters que pelo menos 46 pessoas haviam sido mortas até aquele momento.

O Exército israelense avança lentamente pelo sul do Líbano, com o objetivo de limpar completamente a cidade de Khiyam como um primeiro passo antes de avançar em direção ao rio Litani, de acordo com uma fonte de segurança libanesa e uma autoridade estrangeira que acompanha os desdobramentos no local.

Questionado se Israel pretende estabelecer posições até o Litani, o comandante disse que não cabe a ele decidir. Se as tropas receberem ordens, acrescentou, elas estarão "preparadas para realizar todos os tipos de operações".

O Exército de Israel não comentou imediatamente suas operações em Khiyam, a 5 quilômetros da fronteira libanesa com a cidade israelense de Metula.

Ao longo da fronteira perto de Metula, a Reuters viu diversas fortificações militares israelenses escavadas em encostas, repletas de fileiras de tanques, veículos de transporte de pessoal armado e escavadeiras.

A fumaça subia de Khiyam durante todo o dia desta quarta-feira, e muitos dos edifícios no lado sul da cidade foram reduzidos a escombros. Uma cidade vizinha permanece em ruínas devido aos ataques de Israel de 2024.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.