Israel interrogará homem que tentou derrubar voo da FlyDubai, diz agência

Segundo fonte da Reuters, autoridades israelenses participarão do interrogatório do copiloto que participou de uma suposta tentativa de ataque terrorista em viagem que levava 170 passageiros

Alexander Cornwell, da Reuters
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Autoridades de Israel devem interrogar o copiloto que supostamente tentou derrubar um voo comercial de passageiros que ia de Dubai a Tel Aviv, segundo uma fonte da agência Reuters a par da investigação.

Uma tragédia foi evitada no voo FZ1073 da Flydubai na quarta-feira (30), depois que passageiros e tripulantes imobilizaram o copiloto, que havia esfaqueado o comandante.

Autoridades israelenses descreveram o caso como uma aparente tentativa de derrubar a aeronave, que transportava mais de 170 passageiros e tripulantes.

Uma tripulação de reserva da Flydubai, que viajava a bordo, pousou o avião no aeroporto de Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde o suspeito foi detido pelas autoridades sauditas.

O copiloto foi transferido na quinta-feira (1°) para os Emirados Árabes Unidos, onde, segundo a fonte, esperava-se que autoridades israelenses o interrogassem.

A fonte não quis informar qual agência participaria do interrogatório.

Questionado se autoridades israelenses interrogariam o suspeito, um representante do governo de Israel disse à Reuters que investigadores do país participariam da operação liderada pelos Emirados Árabes Unidos, em conjunto com a polícia local, para tentar determinar o que aconteceu e examinar os motivos e o histórico do copiloto.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre se autoridades israelenses interrogariam o copiloto.

Em suas primeiras declarações públicas sobre o caso, o CEO da flydubai, Ghaith Al Ghaith, disse nesta sexta-feira (2) que as autoridades estão conduzindo uma investigação oficial, com o apoio da companhia aérea, após o que ele descreveu como um "incidente de segurança" na cabine de comando.

"É importante permitirmos que esse processo estabeleça os fatos", disse ele em um comunicado por escrito, reconhecendo que havia "muitas perguntas" sobre o que aconteceu no voo FZ1073.

A agência de notícias estatal dos Emirados Árabes Unidos informou na quinta-feira que as autoridades do país abriram uma investigação para apurar as circunstâncias e os motivos, bem como determinar "se o incidente estava ligado a qualquer atividade ou objetivo terrorista, ou se envolveu planejamento ou orientação prévios".

Motivação ainda não determinada

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta que Israel estava investigando se o copiloto havia agido sob as ordens de alguém, alertando, em um comunicado em vídeo divulgado por seu gabinete, que qualquer pessoa envolvida pagaria um "preço alto".

A maioria dos passageiros a bordo era de nacionalidade israelense.

Na quinta-feira, Netanyahu afirmou que o copiloto — identificado por ele como cidadão de Omã — havia passado por doutrinação islâmica radical e apresentava tendências suicidas claras, mas que, até o momento, a motivação para suas ações não havia sido determinada.

Israel não mantém relações diplomáticas oficiais com Omã, e Netanyahu declarou que pilotos de tais países não tinham permissão para operar voos para o país.

Não ficou claro como o copiloto foi escalado para o voo com destino a Tel Aviv.

A aeronave despencou cerca de 5.000 metros em pouco mais de 30 segundos enquanto sobrevoava a Arábia Saudita, durante o trajeto dos Emirados Árabes Unidos para Israel, segundo dados do serviço de rastreamento de voos Flightradar24.

Capitão aclamado como herói

A identidade do copiloto não foi divulgada publicamente, exceto por sua nacionalidade. O capitão esfaqueado foi identificado como o indiano Smit Machchhar, que foi aclamado como herói por Netanyahu e pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

As autoridades de Omã não comentaram o caso.

O episódio intensificou as preocupações com a segurança em Israel, poucas semanas antes das eleições de 27 de outubro — o primeiro pleito geral desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 —, com a questão da segurança ocupando um lugar de destaque na campanha eleitoral.

Os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em fevereiro, em um conflito que rapidamente se expandiu para a região do Golfo e para o Líbano, onde o país tem enfrentado o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã.

Após sofrer ataques do Irã este ano, os Emirados Árabes Unidos fortaleceram suas relações com Israel, país com o qual estabeleceram laços diplomáticos como resultado dos Acordos de Abraão, de 2020.