Israel lança ataques aéreos pesados contra Síria e promete proteger drusos
Ministério da Defesa sírio foi atingido; ofensiva marca escalada significativa contra novo governo
Israel lançou ataques aéreos pesados contra Damasco, capital da Síria, nesta quarta-feira (16), danificando o Ministério da Defesa e atingindo uma área próxima do palácio presidencial.
O governo israelense prometeu destruir as forças do governo sírio que atacaram comunidades drusas no sul da Síria, exigindo sua retirada.
Além disso, classificou os novos líderes do país vizinho como jihadistas mal disfarçados e afirmou que não permitirá que eles enviem forças para o sul.
Os ataques marcaram uma escalada significativa contra o governo islâmico de Ahmed al-Sharaa, presidente interino da Síria, e foram feitos apesar da relação mais estreita dessa nova administração com os Estados Unidos e da evolução dos contatos com Israel.
Sharaa enfrenta grandes desafios para reconstruir a Síria diante das profundas preocupações de grupos que temem o domínio islâmico – desconfiança que aumentou pelos assassinatos em massa da minoria alauíta em março.
Ataques de Israel deixam feridos
Repórteres da Reuters ouviram aviões de guerra sobrevoando Damasco e realizando uma série de ataques. Colunas espessas de fumaça foram vistas subindo do Ministério da Defesa, no centro da cidade.
O Exército israelense atacou a entrada do quartel-general na capital e um alvo militar próximo ao palácio presidencial, segundo um oficial militar israelense, que reforçou que o país não permitirá o que chamou de massacre de drusos.
Pelo menos três pessoas morreram e outras 34 ficaram feridas nos ataques, informou o Ministério da Saúde da Síria à CNN.
Uma autoridade militar de Israel alegou que as forças sírias não estão impedindo ataques contra drusos, sendo, assim, parte do problema.
Além disso, o ministro da Defesa do país, Israel Katz, ressaltou que o Exército "continuará operando vigorosamente em Sweida para destruir as forças que atacaram os drusos até que se retirem completamente".
Entre os alvos dos militares estão tanques e caminhonetes equipadas com metralhadoras que estavam indo em direção a Sweida.
Repórter é surpreendido por ataques em Damasco
Um repórter da emissora Al Jazeera, do Catar, foi surpreendido por uma explosão em um prédio em Damasco, na Síria, no momento em que se preparava para entrar ao vivo, nesta quarta-feira (16). O ataque gerou uma grande nuvem de fumaça no local.
O jornalista se abaixou assim que o edifício foi atingido. Veja:
Além disso, a rede de televisão Syria TV mostrou ao vivo o momento em que o prédio do Ministério da Defesa foi atingido.
A âncora se abaixou e teve que deixar a bancada enquanto fumaça subia no horizonte.
Ataques contra drusos na Síria
Dezenas de pessoas foram mortas nesta semana dentro e ao redor da cidade predominantemente drusa de Sweida.
Tropas do governo sírio foram enviadas para a região na segunda-feira (14) para reprimir os combates entre drusos e homens armados beduínos, mas acabaram entrando em confronto com as próprias milícias drusas.
Moradores de Sweida relataram nesta quarta que ainda estavam se protegendo em ambientes fechados enquanto os combates continuavam.
"Estamos cercados e ouvimos os combatentes gritando... estamos com muito medo", disse uma pessoa contatada por telefone, enquanto sons de tiros intercalados por estrondos podiam ser ouvidos ao fundo.
"Estamos tentando manter as crianças quietas para que ninguém possa nos ouvir", acrescentou o homem, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.
Um líder espiritual druso afirmou na terça-feira (15) que sua comunidade estava sendo submetida a um ataque bárbaro pelas forças do governo. Já a nova administração da Síria alega que gangues ilegais são responsáveis pela violência.

A Rede Síria pelos Direitos Humanos informou que 169 pessoas foram mortas na violência desta semana. Fontes estimaram à agência Reuters que o número está em 300.
A Reuters não pôde verificar o número de mortes de forma independente.
O druso israelense Faez Shkeir disse que se sentiu impotente assistindo à violência na Síria.
"Minha família está na Síria - minha esposa está na Síria, meus tios são da Síria e minha família está na Síria, em Sweida. Não gosto de vê-los sendo mortos. Eles os expulsaram de suas casas, roubaram e queimaram suas casas, mas eu não posso fazer nada", disse ele.
Governo da Síria promete proteger minorias
Enquanto isso, o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa prometeu proteger as minorias.
Um comunicado do governo sírio desta quarta-feira destaca que os responsáveis pela violência em Sweida serão responsabilizados. A nota ressaltou que a administração federal está comprometida a proteger os direitos da população da cidade.
O Ministério da Defesa do país pediu aos moradores do município que permaneçam em casa.
Na terça-feira, um repórter da Reuters disse ter visto forças do governo saqueando e incendiando casas e roubando carros e móveis em Sweida. Um homem mostrou ao repórter o corpo do irmão, que havia sido baleado na cabeça dentro de casa.
Quem são os drusos?
Os drusos são uma minoria étnico-religiosa árabe de aproximadamente um milhão de pessoas que vivem principalmente na Síria, Líbano e Israel.
Originário do Egito no século XI, o grupo pratica uma ramificação do islamismo que não permite conversões — nem para a religião nem para fora dela — nem casamentos mistos.
Na Síria, a comunidade drusa está concentrada em três províncias principais próximas às Colinas de Golã ocupadas por Israel, no sul do país.
Netanyahu pede para israelenses não irem à Síria
Dezenas de drusos israelenses passaram a fronteira com a Síria nesta quarta-feira, unindo-se aos drusos do lado sírio, disse uma testemunha da Reuters.
O Exército israelense afirmou estar trabalhando para o retorno em segurança dos civis que cruzaram a fronteira.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, pediu aos cidadãos drusos em Israel não irem para a Síria, afirmando que a situação no país é “muito grave” e que eles poderiam ser sequestrados ou mortos.
EUA pedem contenção
O enviado dos Estados Unidos para a Síria, Tom Barrack, condenou a violência contra civis em Sweida.
"Todas as partes devem recuar e se engajar em um diálogo significativo que leve a um cessar-fogo duradouro. Os perpetradores precisam ser responsabilizados", comentou.
Anteriormente neste ano, Barrack elogiou os novos governantes da Síria e declarou que a paz era possível entre o país e Israel.





