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    Israel mostra suposto “arsenal” do Hamas sob hospital infantil em Gaza

    Autoridades de saúde locais rejeitam as alegações

    Nic RobertsonRebecca WrightJohn TorigoeDavid Shortellda CNN

    Nota do Editor: A CNN fez a reportagem em Gaza sob escolta das Forças de Defesa de Israel em todos os momentos, mas não submeteu o material ao exército israelense e manteve o controle editorial sobre a reportagem final.

    O foco dos militares israelenses nos hospitais em Gaza está se intensificando enquanto a operação para eliminar o Hamas da Faixa entra na sexta semana.

    As Forças de Defesa de Israel convidaram a mídia para visitar um centro médico para crianças na segunda-feira (13), onde um porta-voz alegou que partes do porão eram um “centro de comando e controle” do Hamas e podem ter sido usadas para manter reféns.

    Uma equipe da CNN integrada às Forças de Defesa de Israel viu armas e explosivos em uma sala localizada abaixo do hospital infantil Al-Rantisi na segunda-feira, que o porta-voz do exército, contra-almirante Daniel Hagari, chamou de “arsenal”.

    Hagari também mostrou uma cadeira com uma corda ao lado e uma peça de roupa feminina, que, segundo ele, passaria por um teste de DNA, além de um banheiro improvisado.

    Israel afirmou repetidamente que o Hamas abriga suas bases operacionais em túneis sob hospitais e outras infraestruturas civis. O acesso fornecido pelas Forças de Defesa de Israel na segunda-feira foi um esforço para comprovar essas afirmações, que são negadas pelo Hamas, bem como pelas autoridades de saúde e hospitais em Gaza.

    A preocupação de que os hospitais estejam sendo alvo de ações militares aumenta.

    Imagens e relatos marcantes de civis continuam surgindo, e os médicos alertam que não podem retirar os pacientes mais vulneráveis.

    Falando por telefone à CNN nesta terça-feira (14), Mohammed Zarqout, responsável por todos os hospitais de Gaza, disse que o porão de Al-Rantisi foi usado como abrigo para mulheres e crianças – e não para armazenar armas do Hamas e manter reféns – além de ser a localização da farmácia e de alguns escritórios administrativos do hospital antes da água da chuva ter tornado “impossível” o aproveitamento.

    Zarqout também disse à CNN que a equipe médica foi forçada a deixar o hospital pelos soldados israelenses e não conseguiu levar todos os pacientes com eles quando partiram.

    Em um comunicado no domingo, as Forças de Defesa de Israel disseram que estavam permitindo a passagem a pé e de ambulância para o isolamento de três hospitais: o Al-Shifa, o Al-Rantisi e o Nasser.

    As tropas israelenses conduziam operações dentro de Al-Rantisi apenas algumas horas antes da visita da CNN, segundo Hagari. Ele acrescentou que uma equipe forense testaria em breve o material deixado nas salas do porão para confirmar qualquer possível conexão com os mais de 200 reféns sequestrados pelo Hamas durante o ataque em Israel em 7 de outubro.

    As Forças de Defesa de Israel também estão trabalhando para determinar se há uma conexão entre o que parece ser uma entrada de túnel próxima ao local e os quartos sob o hospital.

    A CNN viu um poço, a cerca de 200 metros de Al-Rantisi, que Hagari afirmou estar localizado próximo à casa de um comandante do Hamas e também a uma escola.

    Fios que conduziam ao poço forneciam energia ao túnel, a partir de painéis solares fixados no telhado da casa do comandante do Hamas, disse ele também.

    “Colocamos um robô dentro do túnel e o robô viu uma porta enorme, uma porta que estava na direção do hospital”, afirmou Hagari.

    Zarquot disse que “o túnel que eles afirmam ser um túnel do Hamas é na verdade um ponto de montagem de fios elétricos. Elevamos os fios para evitar choques elétricos causados ​​por inundações.”

    Vasta destruição

    A equipe da CNN testemunhou muita destruição no trajeto por Gaza com os militares israelenses, enquanto eram levados para o hospital Al-Rantisi.

    Inúmeras casas, prédios altos de apartamentos, hotéis e vilas foram destruídos. Buracos de balas e projéteis eram vistos por toda parte e os tiroteios continuavam.

    Dias de intensos combates perto de hospitais na Faixa de Gaza levaram ao que a equipe médica que ainda trabalha lá descreve como condições semelhantes a um cerco.

    Embora os hospitais sejam protegidos em tempos de guerra pelo Direito Internacional Humanitário, essa proteção pode ser comprometida se forem considerados locais de atividade militar. A Organização Mundial da Saúde registou pelo menos 137 ataques a instalações de saúde em Gaza, que, segundo a entidade, deixaram 521 mortos e 686 feridos.

    Outros locais protegidos, como escolas, abrigos civis e instalações das Nações Unidas já foram danificados ou destruídos em mais de um mês de ataques aéreos israelenses.

    Na segunda-feira, a Agência de Assistência e Obras das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina anunciou que mais de 100 funcionários da ONU foram mortos em Gaza desde o início dos combates – o maior número na história da organização.

    As ordens das forças israelenses para que os hospitais fossem isolados ou corressem o risco de enfrentar ataques das tropas que tentam erradicar o Hamas geraram críticas de organizações globais de saúde e grupos de ajuda. Uma declaração conjunta dos diretores regionais do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do UNICEF e da Organização Mundial de Saúde, no domingo, pediu “uma ação internacional urgente para acabar com os ataques em curso aos hospitais em Gaza”.

    “Estamos horrorizados com os últimos relatos de ataques nas proximidades do hospital Al-Shifa, do hospital Pediátrico Al-Rantisi Naser, do hospital Al-Quds e outros na Cidade de Gaza e no norte de Gaza, matando muitas pessoas, incluindo crianças. As intensas hostilidades em torno de vários hospitais no norte de Gaza estão impedindo o acesso seguro dos profissionais sde saúde, dos feridos e de outros pacientes”, diz o comunicado.

    Os médicos continuam se recusando a deixar Al-Shifa – o maior hospital de Gaza – até o momento, porque dizem temer que centenas de pacientes morram se forem deixados para trás. Israel alegou que um centro do Hamas está escondido no porão, uma afirmação que a equipe do hospital e o Hamas negaram.

    Acredita-se que milhares de civis estejam abrigados no hospital e que aproximadamente 700 pacientes em risco estejam recebendo tratamento lá, de acordo com o Dr. Munir Al-Bursh, Diretor-Geral do Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas, em Gaza.

    “O problema não são os médicos, são os pacientes”, disse Al-Burish à CNN na segunda-feira. “Se ficarem para trás, vão morrer, e se forem transferidos, vão morrer no caminho, esse é o problema”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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