Israel realiza ataque contra o principal líder militar do Hamas em Gaza
Bombardeio mirou Izz al-Din al-Haddad, apontado como um dos arquitetos do ataque de 7 de outubro e responsável por reféns

Apesar de um frágil cessar-fogo mediado pelos EUA em Gaza, Israel realizou um ataque visando o principal líder militar do Hamas, de acordo com um comunicado conjunto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa Israel Katz.
Israel responsabilizou Izz al-Din al-Haddad por ser um dos “arquitetos” do ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e por manter reféns após o ataque.
Israel também acusou al-Haddad de se recusar “a implementar o acordo liderado pelo presidente dos EUA (Donald) Trump para que o Hamas se desarmasse e para a desmilitarização da Faixa de Gaza”.
Serviços de emergência em Gaza disseram que Israel atingiu um prédio residencial no bairro al-Rimal, próximo à Cidade de Gaza, na tarde de sexta-feira (15).
O diretor do Hospital Al-Shifa disse à CNN que pelo menos uma mulher foi morta no ataque e outras seis pessoas ficaram feridas, incluindo uma em estado crítico.
O discreto al-Haddad é considerado uma das figuras mais importantes do Hamas, conhecido como o “Fantasma de al-Qassam” devido ao perfil baixo que mantém. Ele é chefe das Brigadas Izz al-Din al-Qassam, o braço militar do Hamas.
Após Israel assassinar outros líderes do Hamas, incluindo Yahya Sinwar, seu irmão Mohammed Sinwar, e Mohammed Deif, al-Haddad passou a ser considerado um dos principais tomadores de decisão do grupo palestino.
Um alto funcionário de segurança israelense disse que as indicações iniciais apontam que o assassinato de al-Haddad foi bem-sucedido.
O Hamas não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A CNN não conseguiu confirmar de forma independente se al-Haddad foi morto no ataque.
O ataque ocorre apesar de um cessar-fogo ostensivo que está em vigor desde outubro. Israel realizou ataques regulares em Gaza, que afirma ter como alvo o Hamas ou o que os oficiais descrevem como ameaças iminentes às forças israelenses ocupando mais da metade do enclave destruído.
De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, os ataques israelenses mataram mais de 850 pessoas em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor em meados de outubro.
Na quinta-feira (14), o responsável pela implementação do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA em Gaza reconheceu que a trégua estava “longe de ser perfeita”, embora tenha afirmado que trouxe “estabilidade relativa”.
Nickolay Mladenov, que anteriormente atuou como Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, disse em uma coletiva de imprensa que o desarmamento do Hamas continua sendo um obstáculo importante.
“O plano é claro: o Hamas precisa se afastar do governo de Gaza, suas armas precisam ser desativadas e Gaza precisa ser desradicalizada”, afirmou. Mladenov condicionou a retirada completa de Israel de Gaza ao cumprimento de outros elementos do plano, principalmente o desarmamento do Hamas e o estabelecimento de governança civil em Gaza.



