Hungria e Romênia apagam as luzes enquanto onda de calor castiga Europa

Continente tem sido devastado por um calor recorde e incêndios florestais destrutivos neste verão

Crispian Balmer e Krisztina Than, da Reuters
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A Itália tomou a medida sem precedentes de colocar todas as suas principais cidades no nível máximo de alerta de saúde devido ​às altas temperaturas nesta quinta-feira (06), enquanto a Hungria apagou as luzes de alguns ​de seus edifícios mais conhecidos para economizar energia, à medida que uma onda de calor continuava a afetar grande parte da Europa.

Na Romênia, autoridades da capital, Bucareste, também reduziram a intensidade da iluminação pública para economizar energia.

A Europa, o continente que mais rapidamente aquece no mundo, tem sido devastada por um calor recorde e incêndios florestais destrutivos neste verão, com a França e a Espanha sendo particularmente afetadas nas últimas semanas.

A União Europeia pressionará seus países-membros a investir mais em medidas para reduzir o risco de incêndios florestais, disse o comissário de Meio Ambiente da UE à Reuters, enquanto especialistas afirmaram que o custo econômico dos incêndios deste verão já ultrapassou 15 bilhões de euros.

A Bulgária, no sudeste da Europa, ⁠foi o mais recente país da UE a ser atingido ​por um incêndio florestal. A principal rodovia Trakia foi fechada em ambas as direções nesta quinta-feira depois que o vento espalhou ​as chamas de um enorme incêndio por ela, a cerca de 70 km a sudeste da capital Sofia, informou o portal de notícias Nova.

Peregrinos e turistas sofrem com calor na Itália

A Itália está acostumada a verões ⁠quentes, mas o alerta vermelho emitido pelo Ministério da Saúde se estendeu de Palermo, na ilha da Sicília, no sul, até ​Bolzano, ‌na região montanhosa do norte.

O alerta indicava uma possível emergência de saúde, com altas temperaturas prolongadas representando um sério risco à saúde de toda a população.

Os ⁠peregrinos reunidos sob o Sol escaldante de verão na cidade de Assis, no topo de uma colina, foram borrifados com água para se refrescarem enquanto o papa Leão 14 fazia uma visita para marcar o 800º aniversário da morte de São Francisco.

“Acho que quando você realmente se importa com algo, quando acredita de verdade ‌nisso, mesmo ⁠que esteja calor, você se ‌esforça”, disse Miriam Mariotti, voluntária do evento.

Os turistas em Roma usavam guarda-chuvas para se proteger do Sol e mergulhavam as mãos nas fontes da cidade.

“Tentamos evitar sair durante a parte mais quente do dia e, em vez disso, saímos à noite ou de manhã cedo”, disse Gianni Arlotta, visitante da cidade de Trieste, ⁠no norte da Itália.

As temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius em várias áreas da ⁠região norte da Emília-Romanha nesta quinta-feira, uma das áreas mais quentes da Itália, chegando a 42,8 °C em Bagnacavallo, perto de Ravena.

Baixos níveis de água causam problemas

A Hungria desligou a iluminação decorativa e ‌não essencial em todas as instituições estatais — incluindo o Parlamento, a maior parte do Castelo de Buda e a Ponte das Correntes — à noite, para economizar energia.

Níveis mínimos recordes de água no Danúbio forçaram o país a desligar em grande parte sua única usina nuclear, que utiliza o rio para resfriamento, levando a capacidade de fornecimento de energia ao seu limite.

A Romênia se preparava para afundar quatro barcaças cheias de rochas no Danúbio para desviar água ‌para seu único reator em funcionamento e garantir mais alguns dias de operação.

As autoridades da capital, Bucareste, reduziram a intensidade da iluminação pública em um terço e desligaram a iluminação noturna de edifícios emblemáticos e museus para economizar energia.

Os baixos níveis de água estão causando problemas para a navegação ⁠no Reno, na Alemanha, onde muitas embarcações só podem navegar com carga parcial, elevando os custos de frete. O rio é uma importante rota de transporte para commodities como grãos, minerais, carvão e derivados de petróleo.

Turistas buscam refúgio para o calor em caverna

Na Bósnia, turistas buscaram refúgio nas temperaturas constantemente amenas da caverna de ​Vjetrenica, tombada pela Unesco, para escapar das temperaturas externas de 40 °C.

Vjetrenica, que significa “caverna do vento”, está localizada no sul da Bósnia e Herzegovina, a cerca de 25 ​km ao norte da cidade adriática de Dubrovnik, onde navios de cruzeiro chegam diariamente com milhares de visitantes.

O número de visitantes permitidos na caverna é limitado devido à fragilidade do ambiente. Sua temperatura constante de 11 °C durante todo o ano a tornou um refúgio tanto para a biodiversidade quanto para os seres humanos.