Itamaraty aguarda aval de Bolsonaro para condenar ataques

Sugestão da diplomacia brasileira, porém, é de que haja uma manifestação o quanto antes sob pena de que um atraso possa ser lido pela comunidade internacional como apoio à Rússia

Caio Junqueira, da CNN, São Paulo
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O Itamaraty aguarda um aval do presidente Jair Bolsonaro para que possa divulgar uma nota condenando os ataques da Rússia à Ucrânia. Já haveria, inclusive, alguns modelos de textos circulando entre diplomatas, com mudanças em relação ao tom da condenação.

A avaliação de diplomatas brasileiros com quem a CNN conversou, na manhã desta quinta-feira (24), é de que a decisão sobre o tom desse posicionamento oficial do governo foi deslocada do Itamaraty para o Palácio do Planalto.

A sugestão da diplomacia brasileira, porém, é de que haja uma manifestação o quanto antes sob pena de que um atraso possa ser lido pela comunidade internacional como apoio à Rússia. A visão predominante no Itamaraty é de que não mais se trata de adotar uma escolha pró-Estados Unidos ou pró-Otan, mas sim uma escolha por regimes autoritários ou democráticos e, principalmente, pela defesa da soberania dos estados.

Bolsonaro, porém, ainda não havia tomado uma decisão até o início desta manhã. Segundo assessores, outras fontes seriam ouvidas, em especial os militares, que discutiram uma cooperação entre os países durante viagem oficial do presidente à Rússia há duas semanas.

No entanto, as pressões externas, em especial dos Estados Unidos e do Reino Unido, aumentaram desde a noite de ontem (23). Representantes desses países fizeram contatos com diplomatas brasileiros, na manhã desta quinta-feira, cobrando uma posição mais dura do governo brasileiro.

Fotos - Rússia ataca a Ucrânia durante a madrugada desta quinta

A pressão também já foi ampliada via ONU. Os Estados Unidos apresentaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU condenando a Rússia pelos ataques. Ainda que a chance de o documento não ser aprovado seja alta - a Rússia preside o colegiado - o gesto está sendo lido no Itamaraty como uma forma de pressionar os países-membros do conselho, como o Brasil, a se posicionarem.

Vídeo - Foguetes militares cruzam o céu durante entrada de repórter da CNN na Rússia