Itamaraty lembra diplomatas venezuelanos: vocês têm que ir embora

Funcionários das representações diplomáticas venezuelanas têm até o dia 2, sábado, para deixar o país

Bandeira da Venezuela
Bandeira da Venezuela Foto: Alexander Rodriguez/Pixabay

Lourival Sant'Annada CNN

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O Ministério das Relações Exteriores mandou uma carta à embaixada da Venezuela em Brasília para lembrar os funcionários das representações diplomáticas venezuelanas de que eles foram expulsos do Brasil, e têm até o dia 2, sábado, para deixar o país.

A carta, à qual tive acesso, lista 32 diplomatas venezuelanos, pelos nomes e localizações deles, distribuídos entre a embaixada em Brasília e os consulados em Belém, Boa Vista, Manaus, Recife e São Paulo. Outros funcionários de representações venezuelanas no Brasil, não citados na carta, já foram embora. O comunicado é classificado como “urgentíssimo”.

Uma fonte do Itamaraty me confirmou que os listados na carta não foram embora ainda, apesar de terem sido expulsos pelo governo brasileiro no dia 5 de março. A expulsão foi publicada no Diário Oficial naquela data, quando os funcionários brasileiros nas representações diplomáticas na Venezuela foram chamados de volta.

“Nos últimos meses houve tratativas com os representantes do regime ilegítimo de (Nicolás) Maduro em Brasília no sentido de que retiraríamos nosso pessoal da Venezuela e que eles retirariam seu pessoal no Brasil até a data limite de 2 de maio”, me disse uma fonte do Itamaraty que pediu para não ser identificada. “Para tanto, todas as facilidades seriam concedidas de lado a lado para que o processo fosse tranquilo. A comunicação de ontem (28/4) apenas recorda a data limite. A partir daquela data, o pessoal remanescente será considerado ‘persona non grata’”, continuou o funcionário. “Não se trata de aplicação de reciprocidade, pois se entende que o princípio se aplica entre partes iguais e já não os reconhecemos como os representantes da Venezuela. Não há elemento novo algum nesse processo de retirada do pessoal lá e aqui.”

Apenas, claro, que eles não querem voltar ao seu caótico país. Ou podem estar enfrentando dificuldades pela escassez de voos. Antes da pandemia já não havia voos diretos entre Brasil e Venezuela.

A carta mantém a linguagem diplomática, apesar de seu conteúdo, digamos, desconcertante: “O Ministério das Relações Exteriores cumprimenta a República Bolivariana da Venezuela e, com base em tratativas realizadas, recorda que os seguintes funcionários venezuelanos acreditados junto ao governo brasileiro juntamente com seus dependentes deverão deixar o território nacional, em caráter definitivo, até 2 de maio de 2020″.

Depois da lista, a carta é encerrada assim: “O Ministério das Relações Exteriores aproveita a oportunidade para renovar à embaixada da República Bolivariana da Venezuela os protestos de sua mais elevada estima e consideração”.

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