Itamaraty vê eleição argentina em aberto com favoritismo de Massa, dizem fontes

Avaliação é de que Milei perdeu “punch” na reta final ao buscar aproximação com políticos de direita que representam a “casta” que ele sempre criticou, como Mauricio Macri e Patricia Bullrich

Caio Junqueira
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Diplomatas brasileiros com quem a CNN conversou -- e que estão envolvidos no pleito argentino -- apontam uma eleição ainda em aberto com tendência de crescimento do candidato peronista Sergio Massa na reta final contra o ultralibertário Javier Milei.

A avaliação é de que Milei perdeu “punch” na reta final ao buscar aproximação com políticos de direita que representam a “casta” que ele sempre criticou, como Mauricio Macri e Patricia Bullrich.

Além disso, a leitura brasileira é de que Massa ganhou com ampla margem o debate de domingo (12), podendo ter conquistado votos de indecisos e de centro.

Vídeo -- Argentina: Entorno da Massa sai otimista de debate e aposta em polêmicas de Milei

Também há a sensação de que nesses dias tem crescido o medo de um eventual governo Milei no eleitorado por falta de conhecimento -- e esclarecimento -- do que de fato ele faria no país.

Diplomatas afirmaram ainda que a estratégia de Milei no segundo turno foi se afastar do Milei tradicional para conquistar o centro, enquanto a de Massa foi se desvincular do kirchnerismo e propor uma união nacional pela Argentina, ideia que na visão da diplomacia brasileira tem encontrado mais respaldo no eleitorado argentino nesses dias que antecedem a disputa.

A diplomacia brasileira, porém, se prepara para os dois cenários. A leitura é de que, em caso de vitória de Massa, haverá uma continuidade na relação, embora com troca de peças do governo.

Se Milei ganhar, por outro lado, o trabalho será um pouco mais árduo, mas não há previsão de que haverá uma ruptura.

Nesta segunda-feira (13), a CNN revelou um movimento de aproximação da diplomacia brasileira com a campanha de Milei e que nas conversas os argentinos sinalizaram pragmatismo na relação caso Milei vença.

Diplomatas brasileiros apontam ainda que a eventual relação de Lula (PT) com Milei será melhor do que a de Jair Bolsonaro (PL) com Alberto Fernández.