Juíza suspende corte de árvores em campo de golfe de Trump
Ana Reyes paralisou remoções no parque de Washington após retirada repentina de 430 árvores pelo governo

Uma juíza federal declarou, na segunda-feira (12), estar "furiosa" com a decisão do governo Trump, tomada durante o fim de semana, de cortar pelo menos 430 árvores de um campo de golfe público em Washington, D.C., que o presidente dos Estados Unidos pretende reformar.
A juíza distrital Ana Reyes, responsável por analisar a contestação judicial aos planos de Trump de reformar o East Potomac Golf Course, determinou a suspensão temporária de qualquer nova remoção de árvores até o dia 26 de outubro.
Reyes iniciou a audiência dizendo aos advogados do Departamento de Justiça que eles haviam perdido a "credibilidade" junto a ela por terem dado um aviso com menos de um dia de antecedência antes de cortar as árvores.
"Mais do que apenas irritada e furiosa neste momento, estou profundamente decepcionada com o governo", disse Reyes.
Quando um advogado do Departamento de Justiça afirmou que haviam feito o "melhor possível" para avisá-la e aos autores da ação, a juíza respondeu, elevando a voz: "Não, vocês fizeram o pior possível".
"Não estou nada satisfeita com a situação", acrescentou Reyes.
Ela exigiu que dois funcionários do Serviço Nacional de Parques comparecessem à audiência virtual — que durou mais de três horas — para depor sobre a origem dos planos de remoção das árvores.
O projeto surgiu de uma reunião realizada em 5 de outubro, segundo o depoimento de um dos funcionários; nessa ocasião, ele foi instruído a executar uma proposta de sete anos atrás que visava restaurar o patrimônio "cultural" do campo.
Reyes afirmou que as autoridades não apresentaram qualquer justificativa para a necessidade de remover centenas de árvores de forma tão repentina.
Ela realizará outra audiência na semana que vem, determinando que um alto funcionário do Departamento do Interior nomeado por Trump, bem como o chefe interino do Serviço Nacional de Parques, estejam preparados para depor.
Após um advogado do Departamento de Justiça questionar a relevância do depoimento, a juíza disse que parecia que o tribunal havia sido induzido ao erro quanto aos planos da administração para o campo.
“A questão é saber se fui ou não enganada — se mentiram para mim em declarações sobre os planos, se mentiram para mim sobre o cronograma das coisas”, disse Reyes, que foi nomeada para o cargo pelo presidente Joe Biden.
Em uma decisão por escrito que acompanhava sua nova ordem, emitida na noite de terça-feira (13), Reyes escreveu estar “cética” quanto às alegações da administração de que as remoções não tinham relação com os planos de reforma de Trump.
“O Tribunal conclui, com base nos elementos disponíveis até o momento, que as autoridades governamentais se apressaram em executar o (Plano de Manejo de Árvores) porque o presidente Trump exige celeridade em seu projeto de reformulação”, escreveu Reyes, “e não devido a um zelo recém-descoberto em implementar uma pequena parte de uma proposta de sete anos atrás”.
O parque é um dos vários projetos de reforma nos quais Trump está trabalhando em Washington, D.C. O desejo da administração de transformar o campo público em um campo de nível profissional — uma reforma que poderia custar entre US$ 20 milhões e US$ 49 milhões (entre R$ 101 milhões e R$ 247 milhões) — envolveu-se em disputas judiciais e provocou a indignação daqueles que temem a perda de um local público e acessível para jogar golfe na capital do país.
O Departamento do Interior anunciou pela primeira vez os planos de remoção de árvores na noite de sexta-feira (9), em um documento que descrevia o corte como parte de um plano de manutenção de longa data, sem relação com a "reforma ou reformulação do campo de golfe".
Equipes já estavam no parque na manhã de sábado (10) cortando as árvores.
Kevin Griess, superintendente do "National Mall and Memorial Parks", testemunhou na segunda-feira (12) que seu escritório elaborou, na semana passada, o plano que identificava as árvores específicas a serem cortadas.
O escritório também planejava remover mais de 100 outras árvores de outras áreas do parque.
Ele afirmou que o plano de remoção estava avançando agora porque recursos e a mão de obra do NPS (Serviço Nacional de Parques) — que haviam sido mobilizados em força-tarefa para os eventos "America 250" — haviam ficado disponíveis recentemente.
Ele disse que só tomou conhecimento do plano de Trump para reformar o campo de golfe por meio das redes sociais.
O escritório de Griess estava cumprindo uma diretriz de um alto funcionário do NPS (Serviço Nacional de Parques), que havia instruído a equipe, na semana passada, a executar um plano de 2019 conhecido como Relatório de Paisagens Culturais.
O relatório propunha fazer com que East Potomac e outros campos de golfe se assemelhassem mais à sua aparência original, da época em que foram inaugurados.
Esse funcionário, Frank Lands — vice-diretor de operações do NPS —, afirmou ter recebido a instrução para implementar as recomendações de 2019 durante uma reunião, em 5 de outubro, com Greg Wischer, um nomeado político que atua como vice-chefe de gabinete do Departamento do Interior.
Lands disse ter sido orientado a executar o plano o mais brevemente possível, garantindo a segurança, evitando interrupções nas partidas de golfe e assegurando a conclusão das análises ambientais adequadas.
Nenhum dos dois funcionários conseguiu responder às perguntas do juiz sobre quanto o projeto de remoção de árvores custaria, ao final, aos contribuintes.
Lands relatou que, antes da semana passada, havia participado de algumas discussões sobre as recomendações culturais de 2019 — conversas que também abordaram como tais recomendações se encaixariam nos planos de Trump para reformular o campo de golfe —, mas ressaltou que não estava a par de todos os detalhes.
Ele revelou que, dois ou três meses atrás, reuniu-se com o renomado arquiteto de campos de golfe Tom Fazio e lhe apresentou o local, mas testemunhou que, desde então, não conversou com Fazio nem com a Casa Branca sobre a reforma proposta por Trump.
Ao final da audiência, Reyes observou que alguns dos mesmos funcionários do órgão envolvidos na recente remoção de árvores haviam apresentado declarações judiciais afirmando não haver planos concretos para implementar a reformulação do campo de golfe proposta por Trump.
Reyes acusou a administração de usar uma linguagem ambígua e classificou como "absurda" a ideia, por parte das autoridades, de que não precisavam incluir os planos de remoção de árvores em suas declarações judiciais.
Na terça-feira (13), Reyes também emitiu uma ordem exigindo que a administração notifique com 72 horas de antecedência sobre quaisquer planos para o campo de golfe — seja para a remoção de árvores ou qualquer outra medida — enquanto o processo estiver em andamento.


