Líderes da Otan se reúnem em cúpula na Turquia nesta terça-feira (7)

Evento deve reunir líderes da aliança entre os dias 7 e 8 de julho e tem como principais temas a guerra na Ucrânia, a segurança no Estreito de Ormuz e o fortalecimento da capacidade militar da Europa

Da CNN Brasil
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Os líderes dos países-membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciam, nesta terça-feira (7), a cúpula da aliança em Ancara, na Turquia.

O encontro, que segue até quarta-feira (8), ocorre em meio a tensões entre os EUA e aliados europeus e tem como principais temas a guerra na Ucrânia, a segurança no Estreito de Ormuz e o fortalecimento da capacidade militar da Europa.

A reunião acontece após meses de atritos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus, principalmente por divergências relacionadas à condução do conflito com o Irã e à pressão americana para que os aliados ampliem seus investimentos em defesa.

Segundo uma autoridade sênior dos EUA, Washington espera que os líderes discutam a segurança no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.

“Certamente acredito que o Estreito de Ormuz e a proteção do tráfego marítimo que passa por lá serão assuntos abordados”, afirmou a autoridade.

Além da segurança marítima, a administração Trump pretende reforçar sua cobrança para que os aliados aumentem os gastos militares e reduzam a dependência dos Estados Unidos na defesa coletiva.

Guerra na Ucrânia

A guerra na Ucrânia ocupa posição central na agenda da cúpula. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participa do encontro e deverá se reunir bilateralmente com Trump.

Na segunda-feira (6), Trump afirmou que uma solução para a guerra está “mais próxima do que as pessoas imaginam” e disse que pretende discutir o conflito durante as reuniões em Ancara.

O encontro entre os dois ocorre após uma nova ofensiva russa contra Kiev, que deixou mais de 20 mortos. No mesmo período, forças ucranianas atacaram com drones a maior refinaria de petróleo da Rússia, localizada na região de Omsk, na Sibéria.

Segundo a Casa Branca, Trump também deverá realizar uma reunião bilateral com o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa.

Europa acelera planos de rearmamento

Em paralelo às discussões da cúpula, países europeus anunciaram avanços em iniciativas para ampliar sua capacidade de defesa.

Reino Unido, Holanda, Finlândia e Polônia informaram que trabalham para criar, até 2027, um mecanismo conjunto de aquisição de equipamentos militares. Já o Canadá deve anunciar um grupo de países fundadores de um banco voltado ao financiamento da renovação das capacidades defensivas dos aliados.

Na véspera da reunião, o governo canadense também confirmou a compra de 12 submarinos alemães para reforçar sua presença no Ártico.

Tensão com a Itália

Às vésperas da cúpula, Trump voltou a provocar a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

O presidente americano publicou nas redes sociais uma fotografia da premiê acompanhada da legenda “NECESSÁRIA UMA MEDIDA PROTETIVA”, reacendendo uma troca de críticas iniciada após a cúpula do G7, realizada na França no mês passado.

Questionado sobre a publicação, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, minimizou o episódio e afirmou que o mais importante é preservar as relações entre Roma e Washington.

Já integrantes da oposição italiana criticaram Trump. O líder do partido Azione, Carlo Calenda, classificou o presidente americano como “um valentão desprezível e mesquinho”.