Veja a linha do tempo da crise política que derrubou Peña no Paraguai
Presidente do país sul-americano apresentou renúncia, que precisa ser aprovada pelo Congresso; Senado também avalia impeachment, que foi aprovado pela Câmara
Uma crise política e bancária ameaça o governo de Santiago Peña, presidente do Paraguai, nesta quinta-feira (5). O mandatário anunciou a renúncia mais cedo, mas ela ainda precisa ser aprovada pelo Congresso.
Câmara e Senado chegaram a iniciar uma sessão conjunta para debater o assunto, mas ela foi suspensa por falta de quórum após parlamentares governistas abandonarem o plenário.
Parte do Congresso, incluindo a oposição e alguns integrantes do partido de Peña, rejeita a renúncia do presidente e defende o impeachment do mandatário, para que ele não mantenha foro privilegiado e seja investigado por possíveis irregularidades no escândalo do fechamento do Ueno Bank.
A Câmara de Deputados já aprovou o impeachment de Peña. Horas depois, o Senado iniciou uma sessão para discutir o assunto, mas ela foi encerrada e deve ser retomada na manhã desta sexta-feira (5), onde o presidente deve apresentar sua defesa perante o plenário.
Com a suspensão da sessão, Peña permanece como presidente do Paraguai, mas com futuro incerto.
Linha do tempo da crise política no Paraguai
Terça-feira (3)
Fechamento do Ueno Bank
Na última terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do principal banco digital do país, o Ueno Bank, após entender que a solvência de seu sistema era menos da metade do mínimo exigido para a operação de uma instituição financeira.
Após a liquidação, as contas dos 3 milhões de usuários do Ueno foram bloqueadas e os ativos e passivos foram congelados. Esse número corresponde a quase metade das 6,5 milhões de pessoas que habitam no país.
O banco digital ainda era responsável por administrar US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em fundos públicos do Paraguai, sendo boa parte dos clientes afetados são aposentados.
Renúncia do presidente do Banco Central
O presidente do Banco Central do Paraguai apresentou renúncia ainda na terça, a pedido de Santiago Peña.
O caso aumentou a pressão sobre o governo de Peña.
Quinta-feira (5)
Congresso inicia sessão para debater impeachment de Peña
Na manhã desta quinta-feira, por volta das 11h, no horário local e de Brasília, o Congresso paraguaio iniciou o processo para buscar a destituição de Peña.
Ministério Público diz que analisará denúncia contra presidente
No início da tarde, o Ministério Público do Paraguai anunciou que analisaria uma denúncia feita contra o presidente Santiago Peña.
Santiago Peña apresenta renúncia em meio à crise
Às 13h16, no horário local e de Brasília, Santiago Peña publicou um vídeo nas redes sociais em que informou que estava renunciando ao cargo.
A medida ainda precisava ser analisada pelo Congresso, que poderia rejeitá-la ou aprová-la.
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou.
O presidente paraguaio também pediu desculpas à população e destacou que seu "maior desejo" é que haja a devolução dos recursos aos clientes do banco e que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade.
Câmara rejeita impeachment de vice do Paraguai
Por volta das 14h, no horário local e de Brasília, a Câmara dos Deputados paraguaia rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país.
Foram 48 votos pela rejeição do impeachment de Alliana e 30 a favor. Com isso, ele ficou posicionado para assumir o governo paraguaio.
Câmara aprova impeachment do presidente Santiago Peña
Pouco tempo depois, por volta das 14h20, a Câmara aprovou o impeachment de Santiago Peña.
Foram 78 votos a favor e nenhum contrário. O Senado ainda precisava votar a medida neste momento para que a remoção do chefe de Estado fosse confirmada.
Congresso se reúne para avaliar renúncia
Por volta das 16h, o Congresso se reuniu para votar se aprovava ou não a renúncia de Peña.
A oposição rejeita essa medida, pois o presidente continuaria com foro privilegiado.
Ministério Público abre investigação contra presidente Peña
Nesse meio tempo, o Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação contra Santiago Peña para apurar supostas irregularidades relacionadas ao Ueno Bank.
Governistas deixam plenário e sessão é suspensa
Por volta das 18h20, a sessão foi suspensa devido à falta de quórum, após parlamentares governistas deixarem a votação.
É necessário que ao menos 41 parlamentares estejam no plenário.
Peña diz que vai se defender de processo de impeachment
Às 19h20, no horário local e de Brasília, Santiago Peña publicou uma nova mensagem no X afirmando que vai se defender do processo de impeachment.
"Farei isso com argumentos e provas, com respeito à Constituição e às instituições da República", comentou.
O presidente paraguaio também pontuou que o pagamento à população afetada não pode depender do que acontecerá com ele e que as discussões sobre seu futuro não podem paralisar o solucionamento da crise.
Segundo a rede ABC, ele deve comparecer ao Senado às 10h desta sexta-feira (6).
Senado faz sessão sobre impeachment
Por volta das 19h50, o Senado paraguaio iniciou uma sessão para analisar o processo de impeachment contra Peña.
Às 21h30, o presidente do Senado, Basilio 'Bachi" Nuñez, encerrou a discussão e convocou uma sessão extraordinária para a manhã de sexta-feira (6), em que o atual chefe do Executivo deveria comparecer perante o plenário para se defender das acusações.
Sexta-feira (6)
Senado inicia nova sessão sobre impeachment
Por volta das 10h45, no horário local, o Senado do Paraguai deu início a uma nova sessão para discutir o impeachment de Santiago Peña.
O então presidente deveria comparecer ao plenário.
Enquanto isso, a defesa dele pediu para que fosse prorrogado de 12h para 72h o prazo para que ele fosse ao Congresso se defender.
Senado nega prorrogação do processo de impeachment
Cerca de uma hora depois, por volta das 11h45, o Senado negou, com 39 votos contrários, a prorrogação do prazo para que Peña apresentasse defesa.
Com isso, determinaram que ele comparecesse rapidamente ao Senado.
Peña não comparece ao Senado e é representado por advogados
Porém, Santiago Peña não compareceu perante os parlamentares, conforme havia dito que faria.
Ele foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.

Acusação, defesa e senadores se pronunciam
Durante a tarde desta sexta, sessões extraordinárias no Senado do Paraguai foram realizadas para que tanto a acusação quanto a defesa de Santiago Peña se pronunciassem sobre o processo de impeachment.
Parlamentares também puderam se pronunciar.
Santiago Peña faz última postagem como presidente
Às 18h13, do horário local e de Brasília, Peña fez sua última publicação nas redes sociais como presidente do Paraguai.
Nela, afirmou que apresentou a renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade.
"Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal", comentou.
"Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam respostas", continuou.
Ele terminou a postagem com a frase "Deus abençoe o Paraguai".
Senado aprova impeachment de Santiago Peña
Por volta das 18h50, o Senado do Paraguai aprovou o impeachment de Santiago Peña e o destituiu.
Foram 44 votos a favor, além de um senador que ficou ausente.


