Luigi Mangione não enfrentará pena de morte, decide juíza dos EUA
Acusado de matar executivo de uma empresa de planos de saúde, ele se declarou inocente de todas as acusações
Luigi Mangione não enfrentará a pena de morte pelo suposto assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, em dezembro de 2024, decidiu uma juíza federal distrital.
A decisão representa uma derrota para os promotores federais, que insistiam em buscar a pena de morte para o caso.
A juíza Margaret Garnett rejeitou a acusação de homicídio que tornaria o réu de 27 anos elegível à pena de morte, pois tal acusação exige que o assassinato tenha sido cometido durante outro "crime violento".
Os promotores alegaram que os outros crimes violentos consistiam em duas acusações de perseguição, argumentando que Mangione perseguia Thompson online e viajou entre estados para cometer o crime.
A juíza discordou, considerando que as acusações de perseguição não configuravam "crimes de violência" e rejeitou duas acusações no processo federal de Mangione: a acusação de homicídio e uma infração relacionada a porte de arma de fogo.
Na audiência desta sexta-feira (30), um procurador federal adjunto indicou que ainda não sabia se o Departamento de Justiça recorreria da decisão de Garnett sobre a pena de morte. A juíza solicitou uma atualização até 27 de fevereiro.
A acusação de homicídio era a única, em todos os processos contra Mangione, que poderia resultar em pena de morte. Ele ainda enfrentará duas acusações de perseguição no processo federal. Se condenado, essas acusações podem resultar em pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Mangione também enfrenta uma acusação de homicídio em segundo grau e outras acusações em um caso separado no estado de Nova York, onde a pena de morte é inconstitucional. Se condenado pelas acusações mais graves no caso estadual, ele pode pegar uma sentença de 25 anos à prisão perpétua.
Em abril de 2025, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que havia instruído o Departamento de Justiça a buscar a pena de morte, classificando o assassinato como "um homicídio premeditado e a sangue frio que chocou os Estados Unidos".
Garnett também decidiu nesta sexta-feira (30) permitir que as provas encontradas na mochila de Mangione no momento de sua prisão sejam admitidas no julgamento.
A polícia apreendeu diversos itens da mochila do acusado, incluindo uma pistola, um carregador municiado e um caderno vermelho — peças-chave de evidência que, segundo as autoridades, o ligam ao assassinato.
A arma recuperada é compatível com a arma usada para matar Thompson, disseram autoridades federais em documentos judiciais. Algumas das anotações manuscritas no caderno "expressam hostilidade em relação ao setor de seguros de saúde e, em particular, a executivos ricos", escreveram eles.
Os advogados de Mangione argumentaram que as provas deveriam ser excluídas do julgamento, alegando que a busca na mochila de seu cliente era ilegal porque eles ainda não haviam obtido um mandado e não havia nenhuma ameaça imediata que justificasse uma busca sem mandado.
Em documentos judiciais, os procuradores federais argumentaram que as autoridades tinham o direito de revistar os pertences de Mangione como parte dos procedimentos de prisão de rotina e de procurar por quaisquer armas que pudessem representar uma ameaça à segurança.
Os procuradores também afirmaram que as provas deveriam ser admitidas, uma vez que inevitavelmente seriam descobertas legalmente durante o curso da investigação.
A seleção do júri para o julgamento federal está agendada para começar em 8 de setembro, com as declarações iniciais previstas para 13 de outubro.



