Lula critica retrocessos na integração e defende união da América Latina

Presidente diz que região precisa superar divisões ideológicas para enfrentar pobreza, crime e desigualdade

Guilherme Rajão, da CNN Brasil, na Cidade do Panamá
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta quarta-feira (28) na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, no Panamá.

Durante a fala, ele alertou que a região vive um momento de enfraquecimento da integração política e precisa reencontrar o caminho do diálogo e do pragmatismo para enfrentar desafios comuns.

Lula também citou o Congresso Anfictiônico do Panamá, que ocorreu em 1826. Segundo o presidente, ideias como paz, solução pacífica de conflitos e igualdade entre Estados nasceram ali, mas não se traduziram em instituições regionais sólidas.

“Dois séculos se passaram do Congresso do Panamá e hoje vivemos um dos maiores retrocessos em matéria de integração”, comentou.

O presidente criticou diretamente a fragmentação política da América Latina e do Caribe e a incapacidade de manter projetos comuns diante de disputas ideológicas. Para Lula, a intolerância minou iniciativas recentes e deixou a região mais voltada para interesses externos do que para a cooperação interna.

“Permitimos que conflitos e discussões ideológicas impedissem a convivência de visões diferentes”, disse. “Voltamos a ser uma região de limites, mais voltada para fora do que para dentro", acrescentou.

No discurso, Lula também alertou para ameaças como o extremismo político, a manipulação da informação e a ausência de respostas coordenadas a crises globais.

Ele citou a pandemia de Covid-19 como exemplo de falha coletiva e afirmou que o combate ao crime organizado e ao aquecimento global ainda ocorre de forma lenta e desarticulada.

Segundo o presidente, esse cenário exige um novo tipo de regionalismo, adequado à realidade latino-americana, defendendo que a região não deve copiar modelos externos sem reflexão.

“Não podemos importar soluções prontas que não refletem a nossa história, nossa cultura e nossas necessidades”, pontuou.

Ainda assim, Lula destacou os pontos fortes da América Latina e do Caribe, como a diversidade de fontes de energia, a capacidade de produção de alimentos, a biodiversidade, as reservas de água doce e a abundância de minerais estratégicos essenciais para a transição energética e digital.

Para o presidente, o desafio está em transformar esse potencial em desenvolvimento concreto. Ele defendeu que a região agregue valor à produção e gere empregos, em vez de apenas exportar matérias-primas.

No centro da fala, Lula definiu o combate à pobreza, à fome e à desigualdade como a principal missão dos governos latino-americanos. “A grande guerra que nós temos que travar é contra a fome, a pobreza e a exclusão social”, afirmou.

O chefe de Estado brasileiro ressaltou ainda que a integração regional só será possível se for construída com pragmatismo, respeito às diferenças políticas e foco em resultados concretos.

Para ele, líderes eleitos têm o dever de melhorar a vida da população e garantir que a América Latina e o Caribe sigam como uma região de paz, democracia e cooperação.