Lula diz na ONU que atentados à soberania e sanções estão se tornando regra

Presidente afirmou que "assistimos à consolidação de uma desordem internacional"

Tiago Tortella e Leticia Martins, da CNN, em São Paulo
Compartilhar matéria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23) que os princípios que nortearam a fundação da ONU estão ameaçados.

"Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias, intervenções unilaterais estão se tornando regra", comentou.

Lula destacou ainda que o "multilateralismo está diante de nova encruzilhada" e que a "autoridade desta Organização está em xeque".

"Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas", disse o petista.

"Democracia e soberania são inegociáveis"

Durante o discurso, Lula também falou sobre a condenação de Jair Bolsonaro, que, após decisão da Primeira Turma do STF, deve cumprir 27 anos e 3 meses de prisão, com início em regime fechado, por participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo o presidente brasileiro, a condenação do ex-presidente revela que o Brasil não negocia democracia e soberania.

"Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.

Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis", destacou. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral", completou.