Lula e Sánchez presidem encontros de líderes de esquerda em Barcelona
Cúpulas em Barcelona buscam defender multilateralismo e mobilizar contra a ultradireita

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, liderarão encontros da esquerda global em Barcelona nesta sexta-feira (17) e no sábado (18), em uma tentativa de defender o multilateralismo e mobilizar movimentos de esquerda contra a ultradireita.
Os encontros, organizados pela Espanha e redes políticas de esquerda, ocorrem em um momento em que os cortes drásticos na ajuda humanitária, as intervenções militares e as ameaças de abandono da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abalam o status quo das relações internacionais e levam a uma reavaliação das alianças globais.
Nascida de um alerta para os socialistas europeus após a ascensão da ultradireita nas eleições para o Parlamento Europeu em 2024, a chamada "Mobilização Progressista Global", que começa nesta sexta-feira, tem como objetivo mobilizar defensores de ideias de esquerda, culminando em uma declaração de ações conjuntas sobre metas que vão da defesa da democracia à transição verde, informaram os organizadores.
Um segundo encontro no sábado – intitulado "Em defesa da democracia" – é organizado pelo governo espanhol e representa a quarta edição de uma cúpula lançada por Lula e Sánchez em 2024.
"Mostrar que existe alternativa"
Os dois líderes são críticos ferrenhos do governo Trump – com Sánchez tendo se manifestado particularmente sobre a guerra com o Irã – e ambos enfrentam crescentes desafios da ultradireita nas próximas eleições.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que também entrou em conflito com Trump, estará presente, assim como a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, marcando a primeira visita de uma liderança mexicana à Espanha desde 2018, após anos de tensão sobre o legado do domínio colonial espanhol.
"Acho importante que partidos e governos progressistas se unam para transmitir ao público, especialmente na Espanha, que pertencemos a algo que vai além da política interna", declarou Sánchez sobre os encontros, em Pequim, durante uma visita à China, onde ele e o presidente Xi Jinping prometeram estreitar laços.
A ultradireita europeia perdeu um de seus maiores defensores com a derrota do líder nacionalista húngaro Viktor Orbán nas eleições de domingo (12). Sánchez comemorou o resultado, afirmando que "a onda pode ser contida, e a Hungria prova isso".
Em outro evento, três mil pessoas, incluindo chefes de Estado atuais e antigos, cerca de 400 prefeitos, representantes de sindicatos, ativistas e partidos políticos, se reunirão durante dois dias, em um encontro organizado pelo Partido Socialista da Espanha. Sánchez e Lula encerrarão o evento.
"Forças radicais estão atuando em nossos países para financiar movimentos de ultradireita... precisamos mostrar que existe uma alternativa", declarou Giacomo Filibeck, secretário-geral do Partido Socialista Europeu, que reúne 33 partidos de toda a Europa.


