Lula: Não vamos permitir que "inimigos da democracia" atentem contra ela
Petista, em discurso voltado às eleições no Brasil, afirma que país terá pleito transparente e competitivo embora alguns candidatos "abusem" da liberdade de expressão

A duas semanas do primeiro turno no Brasil, o presidente Lula usou seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU desta terça-feira (22) para falar das eleições brasileiras e dar recados a adversários políticos.
"Não permitiremos que inimigos internos e externos da democracia atentem contra a vontade popular. Democracia brasileira pertence aos brasileiros. Brasil continuará um país soberano e ninguém nos afastará desse caminho" disse Lula.
O petista direcionou o final da fala para defender as eleições brasileiros ao afirmar que todos os candidatos desfrutam da liberdade de expressão, mas que "alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país". Ele ainda disse que redes de desinformação pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha, que elas seriam parados pelo sistema eleitoral do país. Lula disse ainda que o Brasil decidirá entre "democracia e negacionismo."
Já era esperado que o presidente incluísse um tom eleitoral no discurso. Apesar da plateia formada por chefes de governo e Estado, o foco principal do presidente estava nos 154 milhões de eleitores brasileiros e em obter dividendos para a eleição, avalia fonte ouvida pela CNN Brasil.
Em briefing à imprensa, o Itamaraty já havia afirmado que o presidente defenderia a soberania nacional e a não interferência dos EUA.
Ainda na defesa das soberanias nacionais, Lula disse que na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, também em menção indireta aos americanos. Apesar do que chamou de tentações hegemônica, ele defendeu que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", e que "diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos."
Outros países latinos foram citados: "o povo venezuelano merece definir o próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais".
Havia expectativa para que o presidente se encontrasse com seu homólogo americano, Donald Trump, assim como ocorreu na Assembleia Geral de 2025. Segundo apuração da CNN Brasil, eles não se cruzaram na manhã desta terça-feira.


