Lula sinaliza que pode ir à posse de Kast no Chile em 11 de março

Convite foi feito durante reunião reservada no Panamá; governo chileno avalia encontro como positivo

Guilherme Rajão, da CNN Brasil, na Cidade do Panamá
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ao presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, que fará “o possível” para estar presente na cerimônia de posse marcada para o dia 11 de março.

A declaração foi feita de forma reservada, durante a reunião bilateral entre os líderes no Panamá, e não foi anunciada publicamente à imprensa.

Segundo apuração da CNN Brasil, com fontes do governo chileno, o convite para a posse foi feito por Kast durante o encontro, e a resposta de Lula foi vista como um sinal positivo de disposição para manter diálogo institucional entre os dois países.

Interlocutores do governo eleito afirmam que houve satisfação com o primeiro contato entre os chefes de Estado.

De acordo com as fontes, Lula agradeceu o convite e indicou que tentará ajustar sua agenda internacional para comparecer à cerimônia.

A eventual presença do presidente brasileiro é considerada relevante pelo futuro governo chileno, especialmente por simbolizar uma relação de Estado acima das diferenças ideológicas.

José Antonio Kast é identificado como um político de direita, com discurso conservador e alinhamento a pautas defendidas por Donald Trump. Durante a campanha eleitoral, fez críticas a governos de esquerda da região.

Após a reunião realizada no Panamá, no entanto, integrantes do governo brasileiro passaram a avaliar Kast como um líder mais pragmático e menos conflituoso do que o tom adotado no período eleitoral.

No Planalto, a leitura é de que o presidente eleito chileno busca iniciar o mandato sem tensionar relações regionais e preservar canais de cooperação política e econômica.

Para o governo Lula, o gesto de diálogo reforça a estratégia brasileira de manter interlocução com governos de diferentes orientações políticas na América do Sul.

Após a reunião da última terça-feira (27), Kast também fez questão de reforçar gestos simbólicos.

Ele usava um botão com a bandeira do Brasil e afirmou aos jornalistas que havia entregue ao presidente Lula um botão com a bandeira do Chile, sinalizando a intenção de união e de fortalecimento da relação entre os dois países desde o início do novo governo chileno.