Maduro capturado não garante oposição no poder, afirma especialista

Governo Trump busca promover mudança de regime na Venezuela por meio de diversos métodos

Catherine Nicholls, da CNN
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A remoção do presidente venezuelano Nicolás Maduro "não é suficiente" para levar a oposição ao poder no país, afirma Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina da Chatham House. O ditador venezuelano foi capturado por forças americanas neste sábado (3).

O governo Trump buscou promover uma mudança de regime na Venezuela por meio de diversos métodos, disse Sabatini a Michael Smerconish, da CNN, referindo-se aos ataques dos EUA a supostos navios de narcotráfico e à apreensão de petroleiros sancionados.

Embora a oposição democrática tenha vencido legitimamente as eleições mais recentes da Venezuela, disse ele, isso foi negado por Maduro.

Na visão do especialista, pessoas que antes faziam parte do círculo íntimo de Maduro são “muito contrárias à ascensão da oposição democrática” ao poder, pois isso as colocaria “em risco de também serem julgadas por violações dos direitos humanos, corrupção e atividades ilícitas”.

Entenda caso

O ataque dos EUA à Venezuela ocorreu na madrugada deste sábado, visando a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

A operação, executada pela Força Delta com apoio da CIA, atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira por cerca de 90 minutos. Testemunhas relataram explosões, fumaça e interrupção de energia.

Segundo Donald Trump, o casal foi levado para Nova York a bordo do navio USS Iwo Jima.

A estrutura petrolífera não foi atingida, embora o porto de La Guaira tenha sofrido danos.

Acusações contra Maduro

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou neste sábado (3) uma nova acusação contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, juntamente com sua esposa e filho.

Maduro e seus aliados transformaram as instituições venezuelanas em um foco de corrupção alimentada pelo narcotráfico para benefício próprio, alegou o Departamento de Justiça na acusação.

Essa corrupção "enriquece os bolsos de autoridades venezuelanas e suas famílias, ao mesmo tempo que beneficia narcoterroristas violentos que operam impunemente em solo venezuelano e que ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos", diz a acusação.

Desde 2020, Maduro enfrenta processos nos EUA por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e outras acusações correlatas.

Investigações anteriores do governo americano alegam a existência de uma conspiração de décadas, na qual Maduro e assessores de alto escalão teriam oferecido proteção política e militar a grupos narcoterroristas.

Na época dos primeiros indiciamentos, promotores afirmaram que o líder venezuelano utilizava o tráfico de drogas como uma ferramenta estratégica contra os interesses dos Estados Unidos.

Julgamento nos EUA

A Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, declarou que Maduro enfrentará a justiça americana por crimes contra o país. Com a chegada em solo americano, Maduro deve ser submetido ao sistema judicial para responder pelos mandados de prisão pendentes.

O governo dos EUA oferecia uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à sua detenção, valor atualizado em agosto de 2025.

Enquanto a Justiça dos EUA prepara o julgamento, a situação política na Venezuela permanece incerta, com o governo local tendo decretado emergência nacional e a oposição monitorando uma possível transição de poder.