Mamdani fala à CNN sobre encontro com Trump, eleições e críticas a Israel

Prefeito de Nova York concedeu entrevista à CNN Internacional após reunião com o presidente dos EUA na véspera da Assembleia-Geral da ONU

Da CNN
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O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o presidente Donald Trump mantêm uma relação inesperadamente cordial durante seus encontros, apesar de suas posições políticas opostas. A dinâmica ficou evidente em Nova York, quando Trump visitou Mamdani na Gracie Mansion, residência oficial do prefeito.

Após o encontro desta segunda-feira (21), Mamdani concedeu uma entrevista exclusiva à CNN com a jornalista Christiane Amanpour, que será transmitida na íntegra nesta terça-feira (22).

Sobre a reunião com Trump, Mamdani afirmou ter deixado claro ao presidente que discorda da decisão de proibir determinados veículos de comunicação de entrar na Casa Branca. Segundo ele, não haverá restrições desse tipo durante os encontros entre os dois.

Eleições de Meio de Mandato

Mamdani afirmou que o Partido Democrata perdeu de vista o que é importante para os eleitores e disse que candidatos precisam apresentar propostas que respondam às dificuldades da classe trabalhadora, em vez de apenas se oporem ao governo Trump.

Para o prefeito, questões como o custo de moradia e de creches ultrapassam Nova York e afetam trabalhadores em todo o país. Ele disse esperar que candidatos que priorizem a acessibilidade, como fez durante sua campanha para prefeito, consigam apoio nas urnas.

Mamdani também afirmou que o Partido Democrata perdeu sua ambição em nível nacional. Segundo ele, não basta apenas “se posicionar contra” políticas federais das quais os democratas discordam: os candidatos precisam defender uma classe trabalhadora que, em sua avaliação, foi deixada de lado pela política.

Vários candidatos que se identificam como socialistas democráticos estão na disputa em eleições importantes de novembro. Mamdani, porém, não se comprometeu a fazer campanha para eles e afirmou estar concentrado nos “buracos nas ruas” de Nova York.

Defesa do socialismo democrático

Mamdani afirmou ter orgulho de se identificar como socialista democrático e rejeitou as críticas de líderes conservadores, que classificam o movimento como parte da esquerda radical. Trump chegou a chamar seus integrantes de “comunistas sem Deus”.

Segundo o prefeito, muitos nova-iorquinos, especialmente os trabalhadores, estão menos interessados no rótulo político que ele adota do que em sua capacidade de cumprir promessas.

“Eles querem saber: ‘Isso significa que você vai lutar por mim?’”, afirmou.

Mamdani definiu o socialismo democrático como uma forma de transformar a democracia de um ideal em algo concreto na vida das pessoas, “estendendo-a das urnas para o restante da vida”.

Relação com Trump

Mamdani afirmou estar disposto a deixar de lado diferenças políticas com Trump quando isso lhe der a oportunidade de defender os interesses dos nova-iorquinos e da cidade.

Trump já chamou Mamdani de “meu pequeno comunista” e de “lunático”. O prefeito, por sua vez, chamou Trump de “déspota” e “fascista”.

Apesar das trocas de acusações, os dois tiveram encontros considerados cordiais. Mamdani disse que não ficou exatamente surpreso com a cordialidade.

“Você pode ter opiniões muito diferentes e ainda assim sentar à mesa, porque é isso que esse trabalho exige de nós. Se eu só estivesse disposto a conversar com pessoas que concordam comigo o tempo todo, estaria em casa olhando para um espelho”, afirmou.

Críticas a Benjamin Netanyahu

Mamdani reiterou suas críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem chamou de criminoso de guerra e de “arquiteto de um genocídio horrível contra o povo palestino”.

Durante a campanha para prefeito, Mamdani afirmou que orientaria o Departamento de Polícia de Nova York a prender Netanyahu caso ele viajasse à cidade. Desde então, recuou da promessa e disse não ter autoridade legal para executar o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

O TPI emitiu em 2024 um mandado de prisão contra Netanyahu e outros líderes israelenses, acusando-os de crimes de guerra durante e após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Israel nega as acusações.

Com Nova York se preparando para sediar a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta semana, Mamdani disse ter se reunido com o prefeito de Haia, Jan van Zanen, e que os dois discutiram a importância do Estado de Direito.

Netanyahu está previsto para discursar na ONU na quinta-feira (24). Há manifestações previstas contra a visita, mas Mamdani afirmou que não pretende participar dos protestos.

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