Mapa eleitoral pró-republicanos é bloqueado no Missouri em revés para Trump
Presidente americano condenou decisão da Suprema Corte do Estado: "Dia sombrio"

A Suprema Corte do Missouri bloqueou nesta quinta-feira (03) o uso de um novo mapa eleitoral elaborado pelos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, em um revés para o partido, que busca manter a sua estreita maioria na Câmara dos Estados Unidos.
A decisão pode preservar a cadeira do deputado democrata de longa data Emanuel Cleaver. O distrito com sede em Kansas City que ele representa havia sido desmantelado pelo novo mapa.
A corte, formada por sete integrantes, cinco deles nomeados por republicanos, decidiu por unanimidade que o mapa precisa ser aprovado pelos eleitores em um referendo em novembro antes de entrar em vigor.
A procuradora-geral republicana do estado, Catherine Hanaway, disse no X que recorrerá à Suprema Corte dos EUA.
“Esta decisão sem precedentes viola claramente a lei federal e lançou nosso estado em uma crise constitucional completa”, afirmou.
Legisladores republicanos haviam aprovado o novo mapa como parte de uma campanha mais ampla, apoiada pelo presidente Donald Trump, para redesenhar os distritos eleitorais de modo a favorecer os candidatos do partido.
Trump condenou a decisão em uma publicação na Truth Social, dizendo que era “um dia sombrio para a ‘Justiça’ no Missouri!”
Um grupo criado para se opor ao novo mapa, o People Not Politicians, havia reunido assinaturas suficientes para pedir um referendo com base em uma disposição da Constituição estadual que autoriza consultas populares para aprovar atos legislativos.
O secretário de Estado republicano do Missouri, Denny Hoskins, principal autoridade eleitoral do estado, rejeitou a petição, concluindo que o texto da Constituição estadual não se aplica ao redistritamento congressional. A Suprema Corte rejeitou esse argumento nesta quinta-feira.
“A petição para o referendo era legal, suficiente e apresentada dentro do prazo, e o secretário concluiu incorretamente o contrário”, escreveu a juíza Ginger Gooch em nome da corte. O novo mapa “não entrará em vigor a menos que e até que seja aprovado pelos eleitores”, afirmou Gooch.
Não ficou imediatamente claro como a decisão afetará os candidatos que disputarão as eleições de novembro. O estado realizou as eleições primárias no mês passado com base no novo mapa, e a corte não especificou como espera que os candidatos sejam escolhidos agora que o mapa anterior voltou a vigorar.
O gabinete de Hoskins havia argumentado que anular o mapa tão próximo da eleição geral causaria confusão e dificuldades práticas. Mas a corte atribuiu diretamente a Hoskins a responsabilidade por essa situação, observando que ele recebeu as assinaturas em dezembro e esperou quase oito meses, até as 16h do último dia do prazo, para rejeitá-las.
“A Constituição do Missouri diz o que diz, e essas palavras importam”, disse aos jornalistas Richard von Glahn, diretor-executivo do People Not Politicians.
O Missouri foi um dos vários estados que aprovaram novos mapas ou tomaram medidas para fazê-lo como parte de uma extraordinária batalha de redistritamento no meio da década, iniciada depois que Trump conseguiu convencer os republicanos do Texas a refazer o mapa dos distritos da Câmara dos Representantes do estado.
Embora estados controlados tanto por republicanos quanto por democratas tenham elaborado novos mapas, os republicanos acabaram levando vantagem depois que uma decisão da Suprema Corte dos EUA permitiu que vários estados conservadores do Sul eliminassem distritos com grandes populações negras.
No total, os republicanos aumentaram suas chances em 16 distritos, incluindo o de Cleaver no Missouri, enquanto os democratas garantiram vantagem em seis distritos. Os republicanos têm uma maioria estreita de 219 a 214 na Câmara dos Representantes, incluindo um deputado independente que integra a bancada republicana.
O governador do Missouri, Mike Kehoe, republicano que apoiou o novo mapa, disse no X: “Estamos extremamente decepcionados com a decisão de hoje, tomada por juízes não eleitos, e com a falta de respeito deles pelo processo legislativo.”


