Materiais sobre conflito no Oriente Médio e governo Trump ganham Pulitzer

Prêmio, considerado um dos maiores do jornalismo, anunciou os vencedores da edição de 2026

João Scavacin, da CNN Brasil, em São Paulo
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A edição de 2026 do Prêmio Pulitzer destacou trabalhos jornalísticos voltados à cobertura do conflito no Oriente Médio e a temas relacionados ao governo dos Estados Unidos.

Os vencedores foram anunciados na Universidade de Columbia, em Nova York, nesta semana. Desde 1917, o prêmio distingue profissionais das áreas de jornalismo, literatura, teatro e música que se destacaram nos Estados Unidos ao longo do último ano.

Ao todo, foram reconhecidos vencedores e finalistas em cerca de 15 categorias jornalísticas, além de áreas ligadas à produção cultural.

A jornalista Julie K. Brown recebeu menção honrosa pelo trabalho desenvolvido no jornal Miami Herald. A repórter foi responsável pela série “Perversão da Justiça”, que revelou abusos sistemáticos cometidos contra jovens mulheres por Jeffrey Epstein e expôs a atuação do sistema judiciário americano na proteção ao financista diante de acusações de tráfico sexual.

Na categoria “Fotografia de Destaque”, Jahi Chikwendiu, do Washington Post, foi reconhecido por uma série fotográfica que documenta os impactos da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, marcada por destruição e crise humanitária.

O Washington Post também venceu na categoria “Serviço Público” pela cobertura sobre os cortes promovidos pelo governo Trump no quadro de funcionários de agências federais dos Estados Unidos.

Já a repórter Hannah Natanson, do Washington Post, esteve entre as profissionais premiadas e foi a mesma jornalista envolvida em um episódio com o FBI no início deste ano.

FBI fez buscas em casa de jornalista do Washington Post

Em janeiro, agentes do FBI realizaram uma operação na residência de Hannan Natanson, localizada na Virgínia, onde fizeram buscas e apreenderam um telefone celular e dois computadores, incluindo o notebook de trabalho da jornalista.

A ação foi comentada pela procuradora-geral Pam Bondi em publicação na rede X. Segundo ela, a operação teve como justificativa a alegação de que Natanson estaria “obtendo e divulgando informações confidenciais e vazadas ilegalmente de uma empresa contratada pelo Pentágono”.

O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou em uma declaração separada que "um indivíduo do Washington Post" obteve e divulgou "informações militares confidenciais e sensíveis de uma empresa contratada pelo governo".

A agência não acusou formalmente a repórter e não apresentou provas para sustentar sua alegação.

O editor do Post, Matt Murray, destacou em comunicado à redação que a ação é “extraordinária e agressiva” e gera preocupação em relação às garantias constitucionais do exercício da imprensa.

Confira a lista de vencedores por categoria do Prêmio Pulitzer 2026

Jornalismo

Serviço Público: The Washington Post

Por desvendar o véu de sigilo em torno da caótica reforma das agências federais promovida pelo governo Trump e por relatar, em detalhes, os impactos humanos dos cortes e as consequências para o país.

Notícias de última hora: equipe do The Minnesota Star Tribune

Pela cobertura do tiroteio ocorrido durante uma missa de volta às aulas em uma escola católica, que deixou duas crianças mortas e 28 feridas, com reportagens impactantes, marcadas pela minúcia e compaixão.

Jornalismo investigativo: equipe do The New York Times

Por reportagens aprofundadas que expuseram como o presidente Trump ignorou as restrições a conflitos de interesse e explorou oportunidades de enriquecimento associadas ao poder, beneficiando sua família e aliados.

Reportagem de rua: Jeff Horwitz e Engen Tham, da Reuters

Pela reportagem inovadora e reveladora sobre a Meta, que detalhou a disposição da empresa de tecnologia em expor usuários, incluindo crianças, a golpes e manipulações por inteligência artificial.

Reportagem internacional: Dake Kang, Garance Burke, Byron Tau, Aniruddha Ghosal e Yael Grauer, colaborador da Associated Press

Por uma investigação global sobre ferramentas de vigilância em massa de última geração, criadas no Vale do Silício, aprimoradas na China e disseminadas pelo mundo antes de retornarem aos Estados Unidos para novos usos secretos pela Patrulha da Fronteira americana.

Reportagem de áudio: “Pablo Torre Finds Out”

Por uma forma pioneira e divertida de jornalismo em podcast ao vivo, que investigou como o Los Angeles Clippers aparentemente burlou as regras do teto salarial da NBA ao canalizar dinheiro para um jogador estrela por meio de uma startup ambiental.

Fotografia de destaque: Jahi Chikwendiu, do Washington Post

Pela série comovente e sensível que retrata a devastação e a fome em Gaza resultantes da guerra com Israel.

Livros, teatro e música

Ficção: “Angel Down”, de Daniel Kraus (Atria Books)

Um romance eletrizante sobre a Primeira Guerra Mundial, uma obra estilisticamente ambiciosa que mescla alegoria, realismo mágico e ficção científica em uma narrativa coesa escrita em uma única frase.

Drama: “Libertação”, de Bess Wohl

Uma mistura surpreendente de comédia e sinceridade que explora o legado dos grupos feministas de conscientização da década de 1970, usando a história da mãe da dramaturga para mostrar como o movimento surgiu da conversa e como qualquer pessoa que assista à peça passa a integrar essa discussão.

Não ficção geral: “Não Há Lugar Para Nós: Trabalhadores e Sem-Teto na América”, de Brian Goldstone (Crown)

Uma obra marcada por forte reportagem, análise e narrativa, focada nas questões que ajudaram a criar uma crise nacional de famílias sem-teto entre os chamados trabalhadores pobres.

Música: “Picaflor: Um Mito do Futuro”, de Gabriela Lena Frank (G. Schirmer, Inc.)

Estreada em 13 de março de 2025 no Marian Anderson Hall, na Filadélfia, a obra sinfônica moderna é inspirada nas experiências da compositora com os incêndios florestais na Califórnia e em lendas andinas. Os dez movimentos acompanham um beija-flor em tentativas de escapar de cataclismos, em uma reflexão sobre um futuro frágil.